Hoje acordei e senti silêncio. Estava frio, senti o dia a segredar-me que seria bom melhor ficar na cama. O bater do meu coração ecoava-me na cabeça, adormecia os primeiros pensamentos do dia. Olhei ao meu redor e atentei no meu quarto; as suas paredes, as suas coisas e, principalmente, as suas histórias. Cada pedaço do meu quarto podia ser uma história diferente de alguém que está, ou já esteve, envolvido na minha vida. Recordei a minha vida, calmamente, ao saborear as fotos do meu placard, os livros arrumados na minha estante, os CD's de músicas caoticamente espalhados pelo armário. Momentos, pequenos fragmentos da minha existência fizeram-me viajar a outros tempos. Outras felicidades, bem como outras dores. Acima de tudo, vejo-me como uma criança; sabia tão pouco no meu primeiro beijo. Aprendi que o Amor não é a menina ser bonita. Amor é entregar o meu corpo a outra pessoa com um sentido, um propósito. Amor é um beijo com significado, com sentimento; com Amor, um beijo é um grito de paixão.
Aprendi o que a amizade não se mede pelas palavras, mas sim pelos actos. Amizade é sacrifício, é partilhar. É gostar de ver alguém sorrir com a nossa piada, é ter um ombro para chorar e outro para oferecer. Porém, a lição mais importante não foi a do Amor, nem a da Amizade. Foi saber que é possível juntar estes dois sentimentos. Quando genuínos, são perfeitos. É uma harmonia total, talvez, até, felicidade. É um sentimento único.
O Homem é parvo; mais, é arrogante e egocêntrico. As nossas próprias falhas são o nosso pior inimigo. Podemos tentar corrigir-nos, tentar evitar sermos como somos. Por vezes, e não lhe chamem conformismo, simplesmente não podemos mudar, não está ao nosso alcance. É o homem que se deixa habituar a ser feliz e quer mudar. Ou então não... Para dizer a verdade penso que seja a rotina, o hábito e, claro, o conformismo que nos destróiem. Mas todos nós já sabiamos isso, o problema é que ainda não percebemos o que fazer para mudar.
Aprendi já muita coisa, tenho vinte anos. Mas, parece-me, que ainda me falta muito para aprender, porque ainda erro. Larguei o meu Amor, deixei-o ir, quis enterrá-lo e mesmo assim ele ficou cravado, para sempre, no meu coração.
Manhãs destas são o que ainda faz de mim humano.
Publicado por Downthesun em dezembro 8, 2005 09:20 PM