É facto. O hopetears deixou de fazer sentido, falta uma pessoa. Sinto este blog como se fosse a minha alma: apenas metade.
Eu escondo-me, é verdade, do mundo. Não gosto dele, acho-o monótono. Escrever ajuda-me a aguentar com a dor do mundo; as palavras são o que minha existência grita. E, portanto, vou escrever...
Vamos voltar a uma questão inicial deste blog, tantas vezes discutida por mim e pela Lady Sianna: o Amor. Antes demais, a palavra em si merece ser analisada. Quatro letras, quatro elementos. É um sentimento, uma emoção humana, que pode mudar o estado de espírito do Homem. A simetria de Amor, é Ódio. Logo, a letra maíscula faz todo o sentido, pela força desse sentimento.
Amar... Ser amado. Que sonho. Sentir que alguém realmente nos adora, que retribuí esse mesmo nosso sentimento. Ser ela. Ela ser eu. Sermos juntos um único ser. A esperança é a última a morrer.
Escrevi isto em Novembro de 2003. Amar, ser Amado. Já o fiz, e fui feliz. Hoje, questiono-me sobre o poder do Amor; é forte, é perfeito, é lindo, faz-nos sentir especiais. Mas também é imponente face à maneira de ser do Homem. O meu egoísmo e fraqueza fizeram o meu Amor sucumbir. Tive tudo e tudo perdi.
O que é o Amor?
É a perfeita comunhão entre duas almas num dado espaço de tempo. É sorrir, abraçar e compreender alguém. É sofrer, é discutir. E no fim, depois de tudo morto, talvez volte a nascer a esperança. Tudo acaba, é inevitável. Mas fica sempre o vazio. E, desta vez, o meu vazio é diferente de tudo o que já experimentei.
Não quero o Amor de quem perdi, nem me acho merecedor de tal. Quero aquilo que germinou o nosso amor, aquilo que fez evidente a nossa relação. Estou a mentir, eu não quero, eu não desejo. Eu preciso, como se a minha vida dependesse disso. Para dormir, para sorrir, para existir; sim, para ser compreendido. Não espero que as coisas voltem a ser como antes, sinceramente, acho que nunca será o mesmo. E isso tira-me o sono. Saber que, mesmo que não te deseje, não me deixas entrar no teu mundo; serei apenas uma alma vazia, como em tempos fui, sem ti e tu serás o que sempre foste, mas com mais núvem no teu passado. A minha recordação, o que fui para ti. Já o vejo enterrado e sofro mais do que nunca com isso. Mas espero que sejas feliz e, que onde falhei, outros triunfem. Por ti, pela Mariana, pelo Rafael, pela Flor.
Hoje sonhei contigo. Morrias e seguiste o teu caminho para outra vida, em que sempre acreditaste. Vi-te no caixão, pálida e tocada pelo sopro da morte, mantendo, mesmo assim, a tua beleza única. E vi a tua alma sorrir, caminhando um caminho que desaparecia entre as nuvéns cinzentas de um céu enegrecido. Não sei se compreenderás isto, mas chorei a tua morte e sorri com a tua passagem...