Dores de poeta. São o bater do coração e as lágrimas pendentes. Uma aflição que, com a doçura da inevitabilidade, nos faz lembrar que somos Homens. Às vezes, temo eu, deixamo-nos cair num transe que nos abstrai do facto de sermos seres conscientes. Porém, continuamos a ser sempre inconscientes. É-nos, claramente, nato.
Olhar para a chuva a bater na janela de um quarto, num apartamento, numa cidade, numa vida: sentir, então, a magia do momento. Sim, isto é uma dor de poeta. Tristemente, nem sempre cedemos o tempo, o momento, para saborear os momentos doces, tristes e únicos da vida.
O silêncio. Que só nós compreendemos, sentimos. As emoções são a percepção do ser humano, no seu estado mais puro. Compreender e apreciar o travo suave do silêncio e, sem hesitar, tirar conclusões. Assim, também se sentem as dores de poeta.
Com pesar, assisto à morte suave de uma alma triste, depois feliz e novamente triste. As dores, o sofrimento e as mágoas foram sofucadas pelos analgésicos. O homem, por vezes, destrói-se a si mesmo. Ironia, o único animal que consegue racionalizar não compreende o porquê da sua racionalidade.
O adeus dói no presente; no passado, jazem as nossas boas memórias e os actos que nos condenam à actual existência. A despedida, fi-la sem coerência nem consciência, mas o arrependimento mata. Tortura-nos. O que um dia fomos não passa de um instante perdido na memória do tempo.
Já passaram quase dois anos. espero que essa dor tenha desaparecido e dado lugar a um estado feliz. Como escrevi já hoje neste blogue, estou infeliz. Quem sabe não pense daqui a uns tempos que afinal "o que um dia fomos não passa de um instante perdido na memória do tempo".
espero que esteja bem.
Lia
Afixado por: Lia em agosto 27, 2008 05:00 PM