setembro 03, 2006

esconder...

Escrever pode ser perigoso. Principalmente se for aqui, neste blog; mas como eu não mais que uma recordação na memória de outros, talvez isto não passe de uma recordação do passado.

Ontem apercebi-me de tudo. Não tenho orgulho, nem auto-estima; e isto não é o pior. Arrancaram-me tudo. O mais estranho é que me arrancaram a esperança. Como disse, tudo. Tento esconder à Sianna coisas que também me torturam, mas não a quero magoar. Se ela assim é feliz, quero que continue.

Destrói-me ver a distância que se formou entre nós. Falei com ela ontem no Avante, estava bêbeda. Desabafei o que tinha dentro de mim e ela ouviu em silêncio. Fomos beber uma cerveja, e eu vomito-me. Disse-lhe que era da digestão, e ela acreditou. Depois, deixou-me no mesmo estado com a pressa de voltar para os novos amigos e do namorado. A minha melhor amiga acabou a nossa relação quando eu mais precisava dela. Quando rebentei e me partí, ela destruíu um pouco mais e quando pensei que estava mais forte, aquando do meu regresso, aí sim, arrancou-me a cabeça.

Mas eu não a quero em sofrimento. Sei que ela não aguenta muito bem certas coisas e problemas já ela os tem na vida dela. Não a quero com o meu fardo, se o barco afunda vai só o capitão com ele.

Publicado por Downthesun em 01:50 PM | Comentários (239)

setembro 01, 2006

confrontação

Comecei a escrever o post anterior mas começou a doer-me tanto que achei preferível afastar-me por momentos do computador. Enrolei uma ganza e lá consegui adormecer sem pensar; o irónico na situação é que sonho com os meus problemas e, quando acordo, os mesmos assaltam de imediato a minha mente.

Estava há pouco a pensar naquilo que me fez aqui escrever. Talvez até um pouco de sadismo esteja misturado, mas aqui sinto-me bem. Choro a reler entradas de tempos passados, rio com outras. Mas o conceito do blog em si é o que me prende. Está aqui um pouco de mim e um pouco da Sianna. Consequentemente, um pouco de nós. E quando aqui escrevo sinto-me parte de um nós, que me faz falta e que tão cedo não esquecerei.

De volta aos meus problemas. Listei-os aqui e reli-os variadíssimas vezes como se quisesse decorar aquilo que conheço bem. Na minha viagem, longas foram as horas a pensar e a esquematizar a melhor forma de lidar com a situação em causa. Quando falo com alguém sobre a minha mãe, automaticamente tenho que lidar com olhares de pena e comiseração. Por mais irritantes que sejam, sei também que é a reacção natural das pessoas e que elas simplesmente não fazem por mal. Porém, eu não tenho o direito a sentir-me triste. Sou o alicerce emocional da minha casa, e eu asseguro uma estabilidade que se torna cada vez mais num vazio. Não tive outra escolha, agora, a não ser forte. Quero aproveitar ao máximo o tempo com a minha mãe, tornar-lhe confortável os últimos meses de vida e saber que fiz tudo ao meu alcance. Para isto acontecer, e vai mesmo acontecer, terei que destruir o meu egoísmo. Sair menos, passar mais tempo em casa. Será um desafio já que me refugio todos os dias na companhia daqueles que me distraiem e me fazem sentir normal nem que seja por um punhado de horas. Não posso mais refugiar-me nem evitar o problema. A confrontação é a única solução por agora.

Publicado por Downthesun em 02:17 PM | Comentários (264)

Problemas

Hoje é dia um de Setembro. Dormi mal, mesmo muito mal, entre pesadelos e facadas da memória. Mas começo hoje um novo ciclo, seguramente o mais difícil de toda a minha vida. Acordei às oito e acordei triste: vim ontem de uma viagem pela Europa que durou três semanas e, estando afastado do meu país e dos meus problemas, isso contribuiu para vários momentos de objectiva introspecção. Mentalmente, fui consolidando os meus problemas, tentando separá-los para os poder atacar.

1)A minha mãe tem um cancro há um ano e dois meses. Se no início era a esperança de melhoras e de uma recuperação que me alimentava, hoje é a certeza da sua morte que me destrói. Ela tem mais um ano de vida.

2)O meu pai está também doente, só que é segredo de estado qual a sua verdadeira condição. É uma maneira, estúpida claro, de proteger a família evitando expor-nos a mais pressões. Não funciona visto que é certo que algo de grave se passa e só me deixa mais nervoso. O problema aqui é que se ambos os meus pais adoecem, não terei mãos para lidar com tal situação sózinho.

3)Considero-me monstruoso. A Sianna passou dois anos da sua vida a dizer-me que como eu sou me iria magoar e iria magoar os outros. É verdade, eu e as relações humanas não nos damos bem. O meu egoísmo, egocentrismo, arrogância, frieza e crueldade não me ajudam a ser boa pessoa.

4)Quem eu amo, perdi. Sem anjo, sem companheira, sem esperança. Agora o seu sorriso é de outra pessoa. Resta-me lutar para não perder a sua amizade pois vai ser difícil não me passar. É irracional, mas na altura não me controlo e nem Deus sabe o quanto lacinante vê-la com outro é.

5)Acabar a faculdade.

Publicado por Downthesun em 08:53 AM | Comentários (1411)