dezembro 27, 2005

Corpse Bride

Apesar de, no momento, não ser um grande conhecedor da obra de Tim Burton, devo, antes demais, dizer que considero o seu estilo de narrativa bastante interessante. Factuais são as nossas lições de vida e moral, que aprendemos em livros, filmes, séries de televisão, etc. No entanto, o filme Corpse Bride, não tem uma lição de moral; prefere, antes, uma beleza inigualável e brilhantemente inteligível.

É com morbidez, humor negro e melancolia que vemos uma pequena vila da época vitoriana ser assaltada por um conjunto de acontecimentos bastante peculiares. Nesta animação, são deliciosos os inúmeros promenores que encontramos, desde o dono da loja de relógios a varrer o chão até às pequenas caracterizações do mundo dos mortos. A história em si é um romance típico de conhecer, voltar a conhecer, reconhecer e estimar o nosso amor da vida.

Não sou um crítico de cinema, nem é essa a minha intenção com este post. Aliás, o objectivo é fazer com que quem me leia, vá ver o filme. Porquê? Porque é um marco de que o ser humano consegue criar histórias lindas e bem conseguidas através de meios pouco ortodoxos.

Publicado por Downthesun em 09:00 PM | Comentários (754)

só...

Às vezes, sinto-me só. Olho-te nos olhos e vejo indiferença, até raiva. E fico encolhido no que sou, à espera de algo que me aqueça. Soubesses tu o peso das tuas palavras, o impacto que cada letra tua tem em mim, e aí talvez olhasses para me mim e se sentisses especial. Ou então, sou apenas eu. Que não consigo, como dantes, sussurar-te as palavras bonitas, dar-te os abraços de que tens saudades. Provavelmente, é isso. E por isso, às vezes, sinto-me só.

Arrasto-me na imensidão do que fui outrora,
colhendo pequenos pedaços de nós a toda a hora.

Publicado por Downthesun em 02:07 PM | Comentários (266)

dezembro 26, 2005

luta

"Lembras-te de mim? Sou a memória de um tempo que já não recordamos."

Estas conversas interiores com a nossa própria consciência, são sempre cheias de peripécias. Esses pequenos diálogos com a nossa alma ditam as nossas acções, fazem de nós o que somos; a nossa inteligência é o nosso amigo imaginário que nos ajuda a solucionar o desafios que nos surgem no quotidiano. Eu sinto-me ferido, trespassado por uma lança. E estou a tentar erguer-me, curar-me, ser alguém melhor. E começa a luta interior que me assola, que me destroi.

Publicado por Downthesun em 12:44 AM | Comentários (39)

dezembro 12, 2005

frases...

Desde que acordei, passei o dia inteiro a pensar nesta frase...

"Tinha saudades de te encontrar nos meus sonhos..."

Publicado por Downthesun em 11:53 PM | Comentários (7)

dezembro 11, 2005

verdades

Existe algo dentro de mim a querer sair. Um demónio que precisa de ser exorcizado; quero sussurar-te ao ouvido a minha verdade. Falta-me a coragem de o fazer e, por isso, escondo-me atrás de enigmas e palavras vagas. Como te disse, não o faço por mal, é apenas o meu medo de me veres.
Olho para ti e lembro-me de nós sentados no café; olhaste para mim e disseste "é pena..." e disseste que "um dia, talvez". E disseste mais do que isso, com o teu silêncio. Gritaste com o teu olhar "Ajuda-me" quando me disseste "não estou bem".
Oh, e como me enganaste; imaginei-te, por momentos, num pedestal em que, finalmente, eras feliz; estavas óptima, já saias mais com as pessoas, ias a muitos sítios e tinhas um companheiro. E recordo-me do teu sorriso nos braços dele.

"O ciúme é o ódio e o medo. É ver um rosto a sorrir e querer esmagar esse rosto e essa cabeça que sorri com uma pedra, querer pousar essa cabeça no chão e largar-lhe em cima uma pedra pesada, querer ver uma pedra esmagar essa cabeça, deixar uma pedra cair e vê-la partir esse crânio, vê-la partir os dentes e o sorriso todo, os olhos a furarem-se como gemas e ver espalhar-se no chão tudo o que estava dentro da cabeça: o sangue, os miolos desfeitos, pedaços de osso e cartilagem."

José Luís Peixoto in Uma Casa Na Escuridão

Vejo-te a olhar para mim, com os teus olhos húmidos, prestes a largar lágrimas, e sinto-me gritar, em silêncio, que ainda gostas de mim, que "sou a tua metade". Os actos não correspondem ao sentimento.
E eu; acho que era isto que querias saber. Sim, mesmo depois de ter querido enterrar-te bem no fundo da minha alma, ainda te acho o meu anjo perdido. Ainda fico preocupado quando vais para casa, ou se estás bem. Ainda fico acordado a pensar no estarás a fazer naquele momento. E também sofro por isso, porque agora tens uma outra vida, uma nova maneira de estar. Espero que ainda exista algum espaço para mim.

Publicado por Downthesun em 09:11 PM | Comentários (3)

dezembro 10, 2005

outros tempos...

Paris, é a cidade do Amor. E consegue ser romântica, apaixonante, vigorante; sem dúvida, umas das cidades mais belas da Europa que eu alguma vez vi.

Publicado por Downthesun em 12:03 AM | Comentários (2)

dezembro 08, 2005

Manhãs destas...

Hoje acordei e senti silêncio. Estava frio, senti o dia a segredar-me que seria bom melhor ficar na cama. O bater do meu coração ecoava-me na cabeça, adormecia os primeiros pensamentos do dia. Olhei ao meu redor e atentei no meu quarto; as suas paredes, as suas coisas e, principalmente, as suas histórias. Cada pedaço do meu quarto podia ser uma história diferente de alguém que está, ou já esteve, envolvido na minha vida. Recordei a minha vida, calmamente, ao saborear as fotos do meu placard, os livros arrumados na minha estante, os CD's de músicas caoticamente espalhados pelo armário. Momentos, pequenos fragmentos da minha existência fizeram-me viajar a outros tempos. Outras felicidades, bem como outras dores. Acima de tudo, vejo-me como uma criança; sabia tão pouco no meu primeiro beijo. Aprendi que o Amor não é a menina ser bonita. Amor é entregar o meu corpo a outra pessoa com um sentido, um propósito. Amor é um beijo com significado, com sentimento; com Amor, um beijo é um grito de paixão.
Aprendi o que a amizade não se mede pelas palavras, mas sim pelos actos. Amizade é sacrifício, é partilhar. É gostar de ver alguém sorrir com a nossa piada, é ter um ombro para chorar e outro para oferecer. Porém, a lição mais importante não foi a do Amor, nem a da Amizade. Foi saber que é possível juntar estes dois sentimentos. Quando genuínos, são perfeitos. É uma harmonia total, talvez, até, felicidade. É um sentimento único.

O Homem é parvo; mais, é arrogante e egocêntrico. As nossas próprias falhas são o nosso pior inimigo. Podemos tentar corrigir-nos, tentar evitar sermos como somos. Por vezes, e não lhe chamem conformismo, simplesmente não podemos mudar, não está ao nosso alcance. É o homem que se deixa habituar a ser feliz e quer mudar. Ou então não... Para dizer a verdade penso que seja a rotina, o hábito e, claro, o conformismo que nos destróiem. Mas todos nós já sabiamos isso, o problema é que ainda não percebemos o que fazer para mudar.
Aprendi já muita coisa, tenho vinte anos. Mas, parece-me, que ainda me falta muito para aprender, porque ainda erro. Larguei o meu Amor, deixei-o ir, quis enterrá-lo e mesmo assim ele ficou cravado, para sempre, no meu coração.

Manhãs destas são o que ainda faz de mim humano.

Publicado por Downthesun em 09:20 PM | Comentários (0)

dezembro 07, 2005

imagens


Estes últimos três dias têm sido infernais. Parece que, de um momento para o outro, fiquei atafulhado de trabalho da escola. Enfim, já está quase tudo tratado, faltam só umas reuniões com o meu grupo e acabamos o trabalho com uma semana de antecedência.
Oks, sem especificar, sou estudante de Cinema, actualmente. Não me perguntem como; foi, realmente, uma aventura de decisões até chegar onde estou hoje. E, agora, tenho novas perspectivas, do ponto de vista técnico e intelectual, do cinema. Vejo-o de uma nova forma, absorvendo, ao invés da história, os promenores cénicos, simbologias, enquadramentos. As imagens, hoje em dia, são de fácil acesso a todas as camadas. Todos temos cinema em casa. E, acompanhando de forma deficiente esse ritmo, temos a indústria portuguesa de cinema e as próprias tecnologias de cinema em Portugal.

A fotografia tem despertado em mim. A película, a imagem, a luz que transpõe esse papel. Assim, peguei na minha Pentax e decidi tê-la pronta para uso. Quero começar a captar imagens, não para exibição, mas para mim. Quero ter as imagens da cidade em que vivo, dos campos que a rodeiam. Do mundo. Acho que as imagens, em movimento ou não, valem sempre mais que mil palavras...


Publicado por Downthesun em 08:35 PM | Comentários (0)

dezembro 04, 2005

Optimismos

Pois, realmente. A vida é óptima. És feliz. Olha as coisas de frente, segue o teu caminho. Acredites ou não, isso alivia a minha culpa. Que tudo isto tenha sido para teu bem, para seres melhor.

Não é a minha altura de ser feliz. Agora, é o momento de dor, de memória, de passado. Falta-me algo; estou apenas cheio de culpa e mágoa. Não me consigo divertir, nem sorrir verdadeiramente. Agora, é tudo tarde demais e, desta vez, não te tenho aqui para me ajudares e apoiares. Vendo bem, porque razão terias que o fazer?

Publicado por Downthesun em 07:15 PM | Comentários (1)

dezembro 03, 2005

gentilmente...

Estou fixado na culpa. Não é arrependimento, antes fosse. É pura culpa. Estou a ir e desta vez ninguém me vai ajudar. Ninguém pode. Porque eu minto para todos. Qual é o meu propósito na vida? Já não o tenho. Perdi o prazer na minha banda, na minha música, nos meus amigos; forço, mas já não consigo saborear quase nada. Pelo menos, e isso alegra-me, alguém beneficiou com tudo isto.

No futuro, o que serei quando olhar para este texto?

Gently, my mind escapes into the relaxing
World of pleasure, a pleasure that’ll take
My mind off the reality of my life,
My past life... life as I know it now.

And whatever may come, it slowly
Disappears to somewhere in the back
Of my mind. it will remain there,
Until I wish to retrieve it.

Yes, I will stay here for a while,
For I need the break. a break from the
Pressures of life, and everything
That lays in the palm of life’s hands.

This mode is incredible. it’s out of
This world. too bad I must always leave it...
... but that’s life.

Slipknot - Gently[IOWA]

em pleh...

Publicado por Downthesun em 09:57 PM | Comentários (0)

dezembro 02, 2005

sorrisos...

Bem, acho que estou menos neura. Começo, cada vez melhor, a aceitar que tenho falhas; umas delas, é a falta de hábito de nunca aceitar consequências. Acho que, no fundo, as temo, qualquer uma delas. Por isso, agora sou lacerado pelo arrependimento. De tanta coisa, parece que me sinto culpado e que devo mudar algo. Fiz algo errado e por isso tenho que pagar um preço. A minha dor é a moeda, mas isso sempre soube. Mesmo assim, são as palavras "e se" que me torturam. O que poderia ter feito para não estar assim... Mas é normal pensar assim, sempre pensei. O que vale é que desta vez sei que o tempo não voltal a atrás, por mais que choremos, gritemos, imploremos. Nunca volta. Agora, é olhar para a frente...

Hoje estive na faculdade a fazer um trabalho com colegas meus. Gosto imenso deles, da companhia... No fundo, eles estão a ajudar-me a atravessar uma fase muito má da minha vida. E não o sabem. Com eles, amenizo o meu sofrimento. As conversas, sempre activas e interessantes, são super terapêuticas. Por momentos, sou normal e converso. Esqueço o que me magoa. E estou a partilhar um momento com pessoas que gosto. Depois disto tudo, viemos para minha casa. Fez mais sentido, visto que, finalmente, estou sózinho em casa. Festa!

Não bem, já tenho idade para ter juízo. Vou estar com alguns amigos que convidei, passar uma noite no relaxe. Também vem uma menina. A minha relação com ela é, acima de tudo, muito estranha. Conhecemo-nos, verdadeiramente, à pouco tempo. No entanto, nada me atraí nela a não ser o sexo... Enfim, pensamentos pecaminosos; ficam para outra altura.

Publicado por Downthesun em 05:29 PM | Comentários (0)

dezembro 01, 2005

Quatro

É facto. O hopetears deixou de fazer sentido, falta uma pessoa. Sinto este blog como se fosse a minha alma: apenas metade.
Eu escondo-me, é verdade, do mundo. Não gosto dele, acho-o monótono. Escrever ajuda-me a aguentar com a dor do mundo; as palavras são o que minha existência grita. E, portanto, vou escrever...

Vamos voltar a uma questão inicial deste blog, tantas vezes discutida por mim e pela Lady Sianna: o Amor. Antes demais, a palavra em si merece ser analisada. Quatro letras, quatro elementos. É um sentimento, uma emoção humana, que pode mudar o estado de espírito do Homem. A simetria de Amor, é Ódio. Logo, a letra maíscula faz todo o sentido, pela força desse sentimento.

Amar... Ser amado. Que sonho. Sentir que alguém realmente nos adora, que retribuí esse mesmo nosso sentimento. Ser ela. Ela ser eu. Sermos juntos um único ser. A esperança é a última a morrer.

Escrevi isto em Novembro de 2003. Amar, ser Amado. Já o fiz, e fui feliz. Hoje, questiono-me sobre o poder do Amor; é forte, é perfeito, é lindo, faz-nos sentir especiais. Mas também é imponente face à maneira de ser do Homem. O meu egoísmo e fraqueza fizeram o meu Amor sucumbir. Tive tudo e tudo perdi.

O que é o Amor?

É a perfeita comunhão entre duas almas num dado espaço de tempo. É sorrir, abraçar e compreender alguém. É sofrer, é discutir. E no fim, depois de tudo morto, talvez volte a nascer a esperança. Tudo acaba, é inevitável. Mas fica sempre o vazio. E, desta vez, o meu vazio é diferente de tudo o que já experimentei.
Não quero o Amor de quem perdi, nem me acho merecedor de tal. Quero aquilo que germinou o nosso amor, aquilo que fez evidente a nossa relação. Estou a mentir, eu não quero, eu não desejo. Eu preciso, como se a minha vida dependesse disso. Para dormir, para sorrir, para existir; sim, para ser compreendido. Não espero que as coisas voltem a ser como antes, sinceramente, acho que nunca será o mesmo. E isso tira-me o sono. Saber que, mesmo que não te deseje, não me deixas entrar no teu mundo; serei apenas uma alma vazia, como em tempos fui, sem ti e tu serás o que sempre foste, mas com mais núvem no teu passado. A minha recordação, o que fui para ti. Já o vejo enterrado e sofro mais do que nunca com isso. Mas espero que sejas feliz e, que onde falhei, outros triunfem. Por ti, pela Mariana, pelo Rafael, pela Flor.
Hoje sonhei contigo. Morrias e seguiste o teu caminho para outra vida, em que sempre acreditaste. Vi-te no caixão, pálida e tocada pelo sopro da morte, mantendo, mesmo assim, a tua beleza única. E vi a tua alma sorrir, caminhando um caminho que desaparecia entre as nuvéns cinzentas de um céu enegrecido. Não sei se compreenderás isto, mas chorei a tua morte e sorri com a tua passagem...

Publicado por Downthesun em 03:37 PM | Comentários (1)