Eu sei, o blog, tecnicamente, está acabado. Mas eu sinto na mesma uma vontade de escrever aqui. Não sei, perderam-se as lágrimas, mas há sempre espaço para a esperança. De ser feliz?
Nunca seremos verdadeiramente felizes; haverá sempre algum impedimento, ou um problema, ou uma situação que teima em não deixar a felicidade prosperar. Quando este blog começou eu era apenas um farrapo de pessoa. Depois fui pessoas, a meias com a Lady Sianna. Hoje, já nem farrapo sou. Sou uma nulidade egocêntrica. Pelo lado positivo, consigo aceitar melhor as minhas falhas, começo a coexistir pacificamente com elas.
Nem tu sonhas o vazio que deixaste dentro de mim. Não encontro ninguém que me satisfaça tão bem como tu, nessa tua maneira única de ser. O intuito aqui não é ser romântico, mas simplesmente sentir a tua falta. Da amiga. Da princesa do conto que foi uma vez... Desculpa, não devia sequer dizer-te coisas destas. Eu é que fiz tudo e tudo é minha culpa. Aceito, de rosto erguido, as minhas consequências. De qualquer das maneiras, gosto de ti. Poderia ser rico, mas quereria apenas a minha amiga de volta. Já não posso, estraguei tudo. Vê lá o que eu te poupava se fosse um robot. Deixo-te aqui as palavras que provavelmente não lerás, neste sítio que já foi tão nosso e é apenas meu e da memória.
Se queres que te seja honesto, não preciso do teu perdão. Eu sou teu amigo, num poço ainda te darei a mão.
Dores de poeta. São o bater do coração e as lágrimas pendentes. Uma aflição que, com a doçura da inevitabilidade, nos faz lembrar que somos Homens. Às vezes, temo eu, deixamo-nos cair num transe que nos abstrai do facto de sermos seres conscientes. Porém, continuamos a ser sempre inconscientes. É-nos, claramente, nato.
Olhar para a chuva a bater na janela de um quarto, num apartamento, numa cidade, numa vida: sentir, então, a magia do momento. Sim, isto é uma dor de poeta. Tristemente, nem sempre cedemos o tempo, o momento, para saborear os momentos doces, tristes e únicos da vida.
O silêncio. Que só nós compreendemos, sentimos. As emoções são a percepção do ser humano, no seu estado mais puro. Compreender e apreciar o travo suave do silêncio e, sem hesitar, tirar conclusões. Assim, também se sentem as dores de poeta.
Com pesar, assisto à morte suave de uma alma triste, depois feliz e novamente triste. As dores, o sofrimento e as mágoas foram sofucadas pelos analgésicos. O homem, por vezes, destrói-se a si mesmo. Ironia, o único animal que consegue racionalizar não compreende o porquê da sua racionalidade.
O adeus dói no presente; no passado, jazem as nossas boas memórias e os actos que nos condenam à actual existência. A despedida, fi-la sem coerência nem consciência, mas o arrependimento mata. Tortura-nos. O que um dia fomos não passa de um instante perdido na memória do tempo.
Adeus Lady Sianna. Amiga.
O hopetears foi, em tempos, o testemunho de uma conquista de duas pessoas: a amizade. Houve uma altura em que, e sentia mesmo isto intensamente, o blog era um diário comum de uma amizade, e não de dois bloggers amigos. Hoje, e graças a mim, não é nada. Mas também, não morrerá sem o meu último post. Por nós, por mim e especialmente por ti.
Escrevo este texto com lágrimas não só de saudade mas também de dor. Não me refiro à dor de perda de alguém, mas sim a uma dor que sempre me acompanhou. No sábado disseram-me que ainda resta alguma da minha alma de poeta que eu revejo nos primeiros posts deste blog. Bem fundo em mim. Poeta? Eu? Não. Perdi-me há uns tempos, nem sei bem porquê, e hoje em dia as palavras não saiem. Fodasse, há dois anos conheci a amizade pura e, mais tarde, o amor. Hoje, não sou nada, não tenho nada.
Desculpa-me,
Por te ter falado mal, por não te ter ligado o que devia, por deixar morrer o poeta que amavas, por ser egoísta, por ser egocêntrico, por não te ouvir.
Quando estiver na merda não pedirei nada mais que a tua indiferença. Não foste minha amiga uns tempos mas sim uma vida inteira.
Obrigado,
João
Aos poucos que ainda passam por este blog, informo que a minha colaboração por este lados acabaram!
O hopetears mais do que um blog era o resultado de uma bela amizade que hoje já não existe! Uma junção entre duas pessoas que se completavam por serem tão diferentes!
Hoje eu já não tenho lágrimas, e tu perdeste a esperança...
A quem nos lia.. eu talvez continue pelo mundo da blogosfera, só que já não por aqui! Obrigado a todos!