junho 29, 2005

Neuroses

O exame nacional de português correu-me mesmo muito bem. Aliás, uma coincidência feliz é o facto de, na noite anterior, ter estudo exactamente os autores que sairam: Sophia de Mello Breyner e Cesário Verde. Agora, de modo a conseguir entrar na pública tenho que fazer o exame de sociologia, a ver vamos como é que me corre.

A minha mãe está hoje no IPO, fazendo mais um tratamento. Senão fosse a capacidade entorpecedora do haxixe, provavelmente não conseguiria dormir. E, mesmo assim, dei ontem por mim a rogar pragas ao mundo pela injustiça e a desejar que o meu filme, a minha chaga, fosse doutra pessoa.
Ando triste. Por vezes, tenho picos de felicidade e bem-estar, mas outras simplesmente vou-me abaixo. É uma neurose desgraçada, que eu não quero para mim, mas que, infelizmente, não me larga. Claro que o stress do trabalho, os exames e a minha entrada, ou não, na pública me corroiem o sistema. É a minha sina, 2005 é ano de desgraças.

Ultimamente, o meu refúgio tem sido a pessoa que mais me apoia, a Lady Sianna. Ela, sim, ajuda-me no dia-a-dia e faz o que de melhor ela faz(e eu mais preciso) que é ouvir-me. E faz-me sentir parte do mundo dela, porque a ouiço e sinto-me em comunhão com ela. Tal como o ar que respiro, ela é uma necessidade que eu tenho.
A música, contudo, quanto mais pesada for melhor me sabe. Os últimos meses têm sido divididos por metalcore de brutal deathmetal. A agressividade na música faz-me sentir bem e, não sendo óbvio, ajuda-me a exorcizar os demónios dentro de mim. Sempre gostei de música pesada, porque encaro esta arte como uma forma de expressão e, sem qualquer tipo de dúvida, o metal pesado transmite o que sinto. Mesmo que não seja liricamente, visto que o que ouiço trata sempre de pequenas histórias de horror muito doentias, mas pela sonoridade.

Bem, eu tenho que voltar ao trabalho que já estou há muito tempo a escrever aqui.


P.S.- Dentro da minha alma, dentro núcleo do que sou, ecoam as últimas palavras de Fernando Pessoa, escritas em inglês, "I know not what tomorrow will bring..."

Publicado por Downthesun em 11:20 AM | Comentários (1)

junho 14, 2005

Saudades

Já tinha saudades de escrever aqui no blog e, pelo menos, um velho leitor também. Às vezes esqueço-me do efeito terapêutico que a escrita exerce sobre mim, a escrita é um escape, perfeito e muito eficiente.

Aproveito o facto de não ter sono, faltei hoje de manhã com uma dor de cabeça forte - o estudo nem sempre é positivo- para desanuviar a minha cabeça de Fernando Pessoa. Ele afirmou que havia uma lacuna na literatura portuguesa em meados do século XX e, modesta e prontamente, se ofereceu para a criar. O facto é que, realmente, conseguiu. Derreto-me com os poemas, com as filosofias de (quase) todos os heterónimos, não desdenhando o ortónimo.

Tenho uma pilha de livros para ler, quando acabar os exames. E estou tanta vontade de reler "Uma Casa Na Escuridão", de ler mais um livrinho de Pedro Paixão (comprei o ano passado a obra toda na feira do livro) ou, então, de me deliciar com poesia. Tanto me faz, Torga, Manual Alegre, Pessoa. Apenas ler e deliciar-me com a magia que certas pessoas exercem com as suas palavras.

Bem, o sono já começa a pesar e, desta feita, vou dormir.

P.S. - Estou ansiosíssimo para ver o "Mr & Mrs Smith", com a minha diva a representar; espero que não seja uma total esparrela totalmente americanizada.

Publicado por Downthesun em 11:44 PM | Comentários (2)

junho 08, 2005

O dia apareceu-me com uma moca de sono colossal: ontem à noite pus-me a ver um filme, ainda por cima muito pouco original, até às tantas. O sono teimava em não vir, com os meus pensamentos a oscilar entre a injustiça do mundo e a solidão da minha mãe no IPO. Catwoman, uma detorpação moderna de um conceito antigo de super-heroína... Marketing sexual explorado até ao tutano, não deixando margens para uma boa história. Entretanto o sono apareceu e eu lá me conformei com a vida, porque na altura assim me pareceu bem, e fui dormir.

Hoje ao acordar, ainda tentei - instintivamente - quedar-me mais tempo na cama e só ir à segunda aula da manhã. Claro que me lembrei que estou a trabalhar e isso já não pode ser feito - bolas!
Acho que alguém dos entendidos em psicologia das organizações disse que um bom ambiente de trabalho proporciona melhores rendimentos. Infelizmente, os "boss's" da empresa não ligam a isso e os chefes de departamentos, quase todos, são uns porcos arrogantes que enervam a classe operária e, efectivamente, destroiem a motivação de qualquer um. As bocas constantes são, para além de desmotivantes, um atentado à boa educação visto que, quando alguém as manda, só me apetece gritar-lhes tudo o que me vem à cabeça sobre eles, mas já não posso ter essa liberdade.

Estou ansioso por chegar a casa, para ver a minha mãe e saber como lhe correu a noite. Quero dar-lhe mimos repenicados porque ela, sem qualquer sombra de dúvida, merece-os. Por agora, tenho que voltar ao trabalho porque senão levo ainda com mais bocas.

Publicado por Downthesun em 03:10 PM | Comentários (5)

junho 07, 2005

Desabafos...


O mundo de trabalho é um mundo cão onde todos se queimam uns aos outros para subirem, de alguma forma, na consideração dos seus superiores. Trabalhar, enquanto primeira experiência, é sofucante e muito pouco saudável; já sinto as saudades imensas da escola e começo, lentamente, a concordar com os mais vividos que sempre me disseram que a escola é a melhor fase da nossa vida. Desta perspectiva, no meu tempo-livre aproveito e estudo as matérias que preciso para entrar na faculdade. Agora, sofro as consequências do passivismo escolar, reflectidas na minha média, e provavelmente terei que frequentar uma escola do ensino privado.

O ensino privado é caro, mas sempre defendi que só anda nele quem pode e/ou não conseguiu entrar no estatal. É lixado compreender que serei mais um a tentar melhorar os alicerces da minha educação à custa do poder económico. Com a minha mãe doente, mesmo muito doente, a minha mente não tem estado nas melhores condições de estudo e, infelizmente, a pressão começa a surtir efeitos. Não paro de pensar no quanto egoísta sou ao querer que os meus pais me paguem um curso quando sei, perfeitamente, que os tratamentos no IPO acabam por ser valentes e, ainda para mais, visto que são demorados. Desta forma, vejo-me a conjurar hipóteses de part-time para conseguir pagar os meus próprios estudos.

Atendendo ao facto de a propina mensal ser de 400€, 78 contos para ser mais exacto, mesmo arranjando um part-time, não conseguirei pagar a sua totalidade. Isto porque o ordenado mínimo, para quem trabalha em full-time, não chega quanto mais um part-time. Hipóteses? Nem sei se as tenho.
Se ao menos fosse uma pessoa cheia de fé, fazia as minhas rezas e depositava as minhas esperanças num Deus maior. Mas não, Deus não existe, Cristo era adúltero e os apóstolos uns bêbados. Meu amigo, meu querido amigo, invejo-te das profundezas do meu ser por, com calma, te reconfortares com o teu Deus, mesmo que seja diferente dos outros.

Gostava de conhecer um Deus, um qualquer, e perguntar-lhe o porquê de ser a minha mãe, o porquê de não haver mais igualdade e, já agora, se os ansiolíticos da zona dele são mais baratos. Vivo numa contradição: não quero recorrer a medicamentos para conseguir "superar" esta minha fase, se bem que são familiares próximos que me sugerem isto, porque não quero ficar zombie. Mas também não lhes posso explicar o efeito calmante, relaxante, lúdico e criativo dos charros. Sim, acho que fumo charros, há muitos anos por estas razões que, em última análise, se reflectem numa palavra: lazer.

Estou a escrever com o meu coração na gargantae a minha alma num poço, a escrever porque, onde estou, não posso chorar nem gritar nem descarregar a minha fúria. Já dizia a gótica, quem chora é despedido.

E, por falar nisso, é melhor voltar ao trabalho...

Publicado por Downthesun em 11:56 AM | Comentários (0)