.. comecem por se mudar a si mesmos! Estou farta, cansada e muitas vezes irritada com tudo isto! Estou exausta de ver na tv e ouvir comentários de pessoas... Parem de se queixar.. FAÇAM ALGUMA COISA!!!
Não vou traçar planos para ninguém nem dizer que se deve fazer, isso depende de cada um (até porque o meu plano de vida não é mudar o mundo ou ficar na história)! Mas por favor parem de se queixar para depois retomarem a vossa vida mesquinha e mundana!
Se acham que estão mal informados, vocês e os outros, procurem informação, revoltem-se com as notícias subjectivas e informativamente medíocres que vêm na tv.. passem a comprar jornais de jeito, procurem na internet.. sei lá! E depois?? Depois discutam com os outros mostrem-lhes a realidade.. abram-lhes os olhos de qualquer maneira.. Ajudem os outros também!
Se acham que o problema é falta de solidariedade.. ajudem, há mil e uma formas de se ser voluntário.. até mesmo a ajudar velhotes que (infelizmente) vivem nos hospitais!
Se acham que o vosso problema é a educação, informa-te.. certamente há uma maneira de, enquanto cidadão, ouvirem a vossa opinião (mesmo que não dêm atenção.. ao menos tentaram)
Se querem mudar o mundo mudem-se primeiro.. alterem a vossa atitude porque nada vai ser dado, porque nunca nada é dado, porque nada caí do céu! É preciso lutar, mesmo que seja individualmente!
O blog anda pela hora da morte... Os tempos em que os posts eram quase diários já lá vão. Pergunto-me, várias vezes, porque razão é que a fluência dos posts diminuiu; a resposta, por mais estranho que pareça, era bem simples. O meu gosto por escrever aquilo que sinto, aquilo que quero deitar cá para fora, ainda existe. Não posso dizer que esteja adormecido, nem nada parecido. O problema é que, muitos dos meus demónios já pertencem à extensa biblioteca de posts alojados aqui. Não os gosto de revirar; escrever apenas aquilo que ainda não escrevi: as minhas opiniões, sentimentos, posições políticas e filosofias. Já muito foi dito durante a existência deste blog. Mas ele perdura. Não por estimação ou pena, mas sim pelo seu significado. Juntando os factores acima enumerados à falta de tempo, é lógico que a assiduidade de textos no blog diminua consideravelmente.
Eu não vou falar do natal. Nem da sua hipocrisia. É um assunto mais do que discutido. E, por estar naquele intervalo que serve para digerir o bacalhau e os doces, aproveito, ao sabor de um cigarro, para opinar sobre outros assuntos. Também não vou falar do nojo que toda a polémica e atrasos no processo judicial da casa pia são, e muito menos do quarto reich em que vivemos na Era Santana-Lopista...
Eu sofro a infelicidade de viver num país onde a educação é precária. Estou rodeado pelos eruditos da era facista, cuja educação foi severamente incutida como orgulho máximo e ambição suprema. Na rua, caminham comigo aqueles que, tal como eu, pertencem a um regime educacional cuja liberalização foi de tal modo que isto anda como anda. Ou oito ou oitenta, é triste.
Sofro também com o facto de Portugal estar inserido na Europa; assim sendo, já deviamos ter aprendido com os nossos vizinhos do norte, Finlândia, que a educação é o pilar para o correcto funcionamento de uma democracia. Porém, a nossa educação continua precária e completamente negligente no que diz respeito à formação da integridade do indivíduo. É um sufoco viver numa sociedade que, em última análise, é mal educada. Literalmente!
A formação política, essencial na vivência em sociedade, é nula. O povo português em só ver de palas o PS e o PSD como forças de acção lógicas. E as outras forças? Existem outros partidos, outras soluções.
Somos uma nação apaticamente inconformista. Ou seja, sabemos apontar o que está mal e não gostamos. No entanto, não fazemos absolutamente para mudar.
Talvez esteja enganado, afinal sejamos uma sociedade meramente masoquista...
Eu não gosto do actual sistema de ensino. Aqueles que me conhecem, principalmente a Lady Sianna, já estão familiarizados com o meu ódio pessoal às metodologias, em geral, de ensino. É tudo uma pseudo-pedagogia que contribui, cada vez mais, para o marranço quando a compreensão é o cerne de todo o conhecimento. Enfim...
Milagrosamente, este ano li uma obra que gostei muito. A Aparição, de Vergílio Ferreira, é um livro mórbido, metafórico e filosófico. Juntando estes ingredientes a uma boa história, temos um livro que eu gostei. E muito. Não me vou pôr aqui a divagar sobre a obra; acho que é um livro essencial para gosta do género. Ao saborear as páginas do livro, deparei-me com uma frase que, desde então, se tornou numa das minhas passagens preferidas.
“Portanto, eu tinha um problema: justificar a vida perante a inverosimilhança da morte.”
Na altura, dei por mim a pensar. Cada dia que passa pelo nosso corpo, cada momento que nós vivemos, é um passo irreversível para a nossa morte. Existem duas certezas na nossa existência. A nossa vida e a nossa morte. Assim, a nossa vida é um todo que deve ser aproveitado ao máximo. As nossas - pequenas - liberdades têm que ser saboreadas, os nossos gostos aprofundados. As pessoas que nos rodeiam são apenas um passaporte para o nosso próprio conhecimento.
Concluo, assim, que devemos aproveitar a vida. Ela traz-nos dissabores; porém, às vezes recebemos prendas dela. É uma questão de sabermos co-existir com isto.