"Os media metem nojo!"
Concordo. Porém, não totalmente. Ao longo do meu percurso escolar, sempre dei, em vários anos, o texto jornalístico. Lembro de uma pirâmide de parâmetros ao qual, esse mesmo texto, devia corresponder. Lembro-me, igualmente, de uma regra que todos os meus professores me ensinaram: quando se escreve uma notícia deve-se, somente, informar; ou seja, dentro do possível, ser imparcial.
Hoje em dia o cenário em que vivemos é, no verdadeiro sentido da palavra, triste. Existe uma manipulação de massas efectuada pelos media. Não sei se será propositada mas, infelizmente, a T.V. estupidifica.
Pergunto-me: qual é a consequência principal? O ser humano é estúpido e arrogante por natureza, logo a T.V. nacional é gerida por estúpidos e arrogantes. E, assim, vejo o povo na sua acomodação fétida com os dias que lhes correm nas veias. Desilusões. Mas, atenção, não podemos responsabilizar, totalmente, a T.V. Somos mesmo assim, temos que viver com isso.
Ora, focando no conceito inicial que tinha previsto para este post, há um pouco estive a deliciar-me com um bom exemplo de jornalismo profissional: A Visão. O meu melhor amigo disse-me, hoje de tarde, para ler um determinado artigo sobre skins. Excelente artigo, desempenhado com um profissionalismo surpreendente. O trabalho de investigação é, no mínimo, suberbo. Mas, sobre esse assunto, falarei num post próximo.
Cerne da questão: manipulação?
Eu não sei o que sou. Apenas sei que sou. Esta é uma certeza, entre outras que formam a lista das minhas certezas. Não são muitas, quase nenhumas. São estranhas as metamorfoses que se dão no meu pensamento; recordo-me dos dias, negros, em que via essa minha lista num livro de couro escuro, denso e velho. As páginas, amarelecidas pela minha existência, guardavam essa lista. Eram apenas palavras. Hoje, a lista é outra, o livro já não existe no meu pensamento. Ganhou vida. É um livro aonde escrevo os meus pensamentos, raciocínios e posições sobre inúmeros factos e vivências.
Voltando ao início: sou. Sei que sou. Mas o que sou? Sou feito por camadas. Pequenos - passe o termo - pedaços de outras pessoas. Pessoas que, de certa forma, me marcaram; ou ainda marcam. Porém, debaixo dessas camadas, sou eu. Não sei ver o que sou. Acho que apenas conheço os meus pedaços e pequenas parcelas do que sou. Sou um imaginário numa equação com uma incógnita eterna.
É estranho. Eu sei a resposta a essa equação, é a suprema certeza que posso ter na minha vida. Mas essa resposta sei-a. Não a sou. Só a serei quando morrer.
Estava a revirar uns papéis antigos e enontrei um excerto do "meu" livro de adolescente, vou deixá-lo aqui como uma espécie de pedido de desculpas, mas as aulas têm-me deixado exausta demais para pensar...
"Quando o Pitter e eu estamos sentados num caixote duro, no meio de ferros velhos e de pó, muito juntos, eu com um braço em volta dos seus ombros, ele com um braço em volta dos meus ombros, quando ele brinca com uma madeixa do meu cabelo, quando lá fora se ouve o chilrear dos pássaros, quando se vêem as árvores a pintarem-se de verde, quando o sol nos chama e o ar é todo azul, oh!, então os meus desejos são infinitos."
Anne Frank - Diário de Anne Frank
Existe um mal, medonho, na nossa sociedade; algo que, sorrateiramente, ocupa uma coroa no seio da nossa civilização. A apatia. Acho que, ao longo deste século, uma sede que tivemos de revolução e recontrução de mentalidades, atitudes e governos esvai-se. Como um corte profundo num pulso débil. Simplesmente mortal.
Hoje passei um dia interessantíssimo. Com a Lady Sianna e mais dois amigos meus. Se os tivesse que descrever num palavra, loucos seria o adjectivo. No tempo fora de sátiras e gozos com tudo e mais alguma coisa, falou-se em política. Anarquia para ali, comunismo para lá e, como sempre, fascismo para o caralh*. Todos os presentes eram activistas em alguma coisa no seu mundo. Todos nós lutamos por algo que nos corre nas veias...
Voltando ao nosso mal, a apatia, o povo português tem a triste mania de falar muito e, no fundo, não se disponibiliza para fazer as tais melhorias que acha que deviam ser feitas. E, muitos, até se defendem com a máxima de que "mudar o mundo é impossível". Não concordo. Sou adepto de efeito borbuleta. Um pequeno gesto agora pode derrubar montanhas daqui a uns tempos. Considero-me um lutador. Porquê? Como foi referido em cima, eu luto por algo que me corre nas veias. Acho que se chama indignação com os males do mundo. Os eruditos mais velhos chamam-lhe raiva de adolescentes. Treta; apenas queremos mudar o mundo. Quando o deixamos de fazer, é o sinal óbvio de que estamos a empregnar-nos de sociedade. Como se luta? Cabe a cada um de nós decidir. Afinal, somos todos diferentes. Eu, por exemplo, não como carne em defesa dos animais - é a minha opção. Recuso patrocinar as grandes companhias capitalitas que exploram os trabalhadores e crianças. Como? Não comendo em certos MacLocais e não bebendo àgua suja do capitalismo. É a minha maneira. Outros não, que conheço, não compram roupas de marcas conhecidas porque, como todos sabemos, ou então sabemos mas fechamos os olhos, exploram crianças nos países do terceiro mundo.
Levanto a questão: Queremos mudar, ou ser meros espectadores?