setembro 28, 2004

Educação

Ontem comentei com a Lady Sianna o tema do post que se segue. Mostrei-lhe um ponto de vista que, mais tarde, acabei por ver que não era o mais correcto. No entanto, assimilei a opinião da minha companheira e formulei uma crónica na minha cabeça. Falar, do ponto de vista de um cidadão e, mais ainda, um estudante, da educação no nosso país é algo de muito delicado.
Nos últimos tempos tenho andando esgotado física e psicologicamente com o meu horário escolar. Esta sobrecarga - obviamente - reflecte um cansaço muito grande em mim mas, de qualquer das maneiras, apesar cansado, aqui o post sobre o qual eu tenho andado a reflectir...

O sistema de educação nacional é, muitas vezes, acusado de ser negligente, aburdo e ineficaz. Será? As múltiplas acusações de que é alvo serão, na sua totalidade, verdadeiras?
Hoje em dia a camada estudantil não possuem qualquer tipo de interesse pela escola. Consideram-no uma "seca", um fardo que têm que carregar para se "desembaraçarem". É uma atitude, na minha opinião, lamentável. Quantas vezes já não ouvi - da boca dos meus colegas - que a escola só devia preparar para aquilo que nós queremos ser. Traduzindo por míudos, a escola nem devia existir. Existe uma notória falta de motivação por parte dos alunos nos nossos dias. Mas isto é algo que, para ser compreendido na íntegra, tem que ser dissecado:
-Numa primeira abordagem há que frisar o suprasumo dos problemas, isto é, a falta de bases. O desinteresse aliado à preguiça enquanto se frequenta o ensino primário e de 2º ciclo faz desmoronar as bases principais das matérias. Isto reflecte, posteriormente, uma falta de cultura geral imensa e, por vezes, vergonhosa.

-Por outro lado temos os maus hábitos dos alunos; a grande maioria pensa que os tpc's são supérfluos - exercícios e leituras fazem-se nas aulas. Entrando como uma agravante, existe a falta de hábitos de leitura. Lembro-me, de num filme até recente, alguém dizer que o livro marca o início da idade do pensamento. Ler incute-nos hábitos de leitura, maior vocabulário e - consequentemente - maior facilidade na estruturação e compreensão de textos.

-Em último lugar, e sendo de igual importância que os outros dois tópicos, temos a falta de responsabilidade. Os estudantes em Portugual, em grande parte, são irresponsáveis e não estão cientes da importância da sua educação. Ela constitui a formação que irá reger as suas vidas e, mesmo assim, não há uma tomada de consciência. Friso novamente a atitude de que a escola é algo que não devia ser obrigatória e que só existe para "ocupar" tempo.

Tendo em conta tudo isto, podemos culpar o sistema? Eu acho que não. Na nossa reforma está estipulado que o alunos devem estudar e os professores tirar dúvidas. É um bom sistema que, caso fosse aproveitado pelos alunos, desde cedo e na íntegra, faria com que o desempenho escolar fosse muito bom. Aqueles casos de bons alunos, conhecidos por marrões, são os daqueles que, simplesmente, aproveitam as condições que o sistema dá. É tão simples quanto isto. Porém, e muito infelizmente, há casos genuínos de deficiências no sistema de ensino. Falo, pois, das escolas em zonas mais degradadas. Aí, os factores que influenciam o desempenho do aluno são outros e bem mais graves. Mas, normalmente, a escola funciona bem.

Qual é a solução? A minha geração já está perdida. As que vêm aí não sei. O que eu sei é que a preparação tem que ser muito cuidado logo no início da carreira de um estudante. Incutindo-lhe hábitos de estudo, de raciocínio. Digo eu... Ou o problema será mesmo do sistema?

Publicado por Downthesun em 07:18 PM | Comentários (3) | TrackBack

setembro 26, 2004

Caos

Caos; a exímia adjectivação da minha vida nos últimos tempos. O combinar de stress escolar, falta de inspiração e muito cansaço iniciou-me num processo quase auto-destrucivo no que diz respeito à criação e inovação literária. A minha mente carece de forças e pensamentos de maior. Infelizmente limito-me a deixar a minha vida andar, pé ante pé, por esses dias fora. Writer's block.

Tenho pena. De muita coisa. Durante imenso tempo critiquei e lamentei tudo aquilo que me rodeava. Sei apontar os males na perfeição mas, porém, não consigo sempre usar a minha inteligência e sugerir uma melhoria. Sou um verme, mais um parasita. Sendo assim, tenho pena. De mim principalmente; existir num mundo em que poucos me compreendem e, mesmo assim, esse mundo consegue, na perfeição, sugar as minhas energias. Vivo anestesiado com uma droga que consumo todos os dias: o ar que me rodeia, a respiração de muitos mais vermes.
É um triste hábito meu criticar e revoltar-me com os milhentos males que me rodeiam. E, no entanto, tenho tanto para corrigir em mim. Com os resquícios da minha mente esforço-me para elaborar um raciocínio que preciso urgentemente. Formar um juízo. Quero traçar uma linha bem visível no mundo. Quero que apenas eu lá exista. E eu sou feito de outras pessoas e, se for a ver bem, essas pessoas não são assim tantas. São apenas um punhado de gente. Mas, de qualquer das maneiras, elas fazem parte de mim e formam-me enquanto uma alma. Quero ser quem sou, mas melhor. Quero não ter defeitos e conseguir a estabilidade e maturidade de que tanto preciso. Porque, afinal, os meus gestos e acções têm consequências. Ainda por cima naquelas que eu amo. E isso, somente isso, dilacera-me por dentro.

Um exemplo da minha imperfeição. Com o tempo, vim a banalizar este blog que, no entanto, continua a desempenhar a forte função que sempre teve: exorcizar os meus demónios. O anonimato continua a saber-me tão bem e, talvez, até melhor. Quero ser melhor, mais perfeito. Quero que aqueles que amo não sofram por minha causa. Quero ser mais. Talvez assim, um dia, possa criticar e lutar por um mundo, que não o meu, melhor.


P.S.- Peço, desde já, desculpa aos leitores pela minha acentuada quebra na produção de post's. Mas ando com pouco tempo e bastante exausto. É apenas uma nova fase... Assim o espero.

Publicado por Downthesun em 06:41 PM | Comentários (2) | TrackBack

setembro 19, 2004

"Situação Particular"

"Tem de se cuidar da alma acima de tudo. E tem de se cuidar do mundo apesar de tudo. Acontece que não são coisas compatíveis. Excluem-se, dilaceram-nos, vão dando cabo de nós. Não fazer caso seria o único descanso mas não conseguimos deixar de reparar. Quando começámos já era assim e o que deixarmos para os outros assim será. É que não há maneira de poupar quem quer que seja. Nem a nossa mulher, nem os nossos filhos. Nesta aflição vivem todos nós. É um consolo triste, este que nos chega.
Acontece mesmo assim. Mas porquê assim? Não encontramos qualquer razão em particular. Trazemos connosco um pequeno defeito e um pequeno excesso, isso sim, e não de coisas diferentes mas do mesmo e é tudo. Nada que se aponte em particular.
Pois é, e se procuramos encontrar o que quer que seja, saímos de nós e, descentrados, logo nos desequilibramos. O impulso que nos serve para ganhar balanço é o mesmo que nos faz cair quando queremos estacar. O entusiasmo, aliás, não é mais do que uma breve suspensão no movimento da queda. Por de mais estranhos somos nós. Como tudo o que ousou levantar-se. Por de mais iguais, aguardando, por mais que nos enganemos, a vida noutra vida que não esta.
Não sabemos como procurar, nem onde encontrar, nem, afinal, sabemos o que procurar. somos assim, tão perdidos, que nos agarramos sem sequer poder tocar."

Pedro Paixão in Viver Todos Os Dias Cansa

Publicado por Lady Sianna em 01:09 PM | Comentários (2) | TrackBack

setembro 17, 2004

1 ano

Infelizmente não tenho muito tempo para escrever um post à altura do tema.. mas é com muito gosto que vos anuncio que o nosso cantinho está de parabéns! Foi exactamente há um ano que escrevemos os nossos primeiros posts e o HopeTears nasceu!
Durante este ano muitas coisas mudaram nas nossas vidas.. algumas vão ficar aqui registadas durante (pelo menos) mais uns meses! Obrigado por nos lerem!

Publicado por Lady Sianna em 06:24 PM | Comentários (2) | TrackBack

setembro 13, 2004

Aborto - Visão de Homem

Com o intuito de dar um continuidade ao post anterior escrito pela Lady Sianna, queria abordar a temática do aborto de uma outra forma. A análise do tema por um homem.

Antes de mais, é de realçar que o Homem é sempre um espectador quando se fala do aborto. Digo isto porque o campo de batalha, a luta, é toda feita em redor da mulher. Não quero frisar o aspecto legal envolvente mas sim, parafraseando a Lady Sianna, o dilema moral das pessoas. Abortar é uma decisão. É ponderada em alguns casos - quando o parceiro não foge - pelo casal ou só pela mulher. Já falei sobre isto com algumas amigas e, quase todas, defendem que sentem em si uma vida. Apoiando, mais uma vez, a Lady Sianna, a despenalização do aborto contribui para a saúde; os abortos são uma realidade com a atenuante de que, infelizmente, neste país as mulheres sofrem horrores. Despenalizar seria, apenas, melhorar as condições médicas e sociais que envolvem o aborto.

Agora, como homem, qual a minha visão do aborto? Acho que, como dito em cima, é uma decisão. Que cabe ao casal. Se a minha parceira engravidasse explicar-lhe-ia a minha opinião. Sou contra pois tenho condições para ter a criança.

Publicado por Downthesun em 12:46 PM | Comentários (2) | TrackBack

Aborto - uma visão pessoal

Ao longo dos anos a minha opinião sobre o aborto em nada mudou. Nunca achei que um feto fosse um ser vivo com capacidade de inteligência ou memória, e como tal nunca me pareceu crime o facto de uma mulher interromper a gravidez. Sempre me pareceu indecente o facto de o casal, especialmente a mulher, não puder legalmente escolher entre o aborto ou o filho, e em vez disso o Estado escolher pela vida de um feto que será uma criança que ele não vai alimentar!

Mas o que realmente me choca no meio desta polémica toda é o facto de as pessoas que são contra a despenalização do aborto acharem que, pelo facto de o aborto não ser ilegal, as mulheres vão sair por aí a abortar dia sim dia não. Mas essas pessoas não percebem que a maior barreira ao aborto não é a ilegalidade da questão, mas o dilema moral das pessoas?!
Nunca me vi obrigada a tomar esta decisão, mas já acompanhei amigas que tiveram de decidir. Houve quem decidisse ficar com a filho, houve quem abortasse.. mas em nenhum dos casos é fácil, principalmente quando tudo feito "às escondidas" dos pais! Não posso falar por mim, mas pela angústia que lhes vi estampada nas caras! A escolha é sempre deseperante, não interessa a idade da rapariga/mulher, todas elas sentem a responsabilidade de uma futura vida dentro delas, todas elas sentem que têm de decidir.. decidir por algo que não elas!
Quem decide manter a criança invariavelmente vê toda a sua vida mudar, o crescimento repentino e indesejado, os sonhos que se vêm alterados, os objectivos de vida que passam agora por outra pessoa... tudo muda e muitas vezes não está lá ninguém para ajudar. Quem decide abortar.. bom, primeiro é a questão do dinheiro, depois todos os perigos inerentes à ilegalidade e às questões de saúde, o perigo da morte... e a dor da recuperação! Mas como me dise uma amiga que abortou, "O pior não é o processo em si, é tomar a decisão e depois viver com todos os fantasmas! Nuca se esquece que se abortou!"

Será que quem defende a não despenalização acha que as mulheres não ponderam a sua situação?! Ou será que acham que ao tornar o aborto ilegal as mulheres já não têm de decidir nada?! Será estupidez, pura hipocrisía ou inocência?! Será que essas pessoas não percebem que, com a despenalização, a única diferença seria um ligeiro aumento dos números inoficiais do aborto, e a devida orientação médica às mulheres?! Será que essas pessoas não sabem que, para qualquer mulher, a morada duma clínica de aborto fica á distância de um telefonema para uma conhecida?!
Pessoalmente, e com as condições de vida que tenho, não abortaria, não seria capaz, mas essa seria a minha decisão, uma decisão tomada sobre o meu corpo, a minha vida e um feto... e não a decisão de um qualquer Estado!

Publicado por Lady Sianna em 02:47 AM | Comentários (6) | TrackBack

setembro 01, 2004

Relações II

Não gosto de relações! Não sei se posso dizer se é por opção ou se é por medo, mas não as inicio e muitas vezes tento não mantê-las! Acho mesmo inútil iniciar relações com pessoas que sei que não me interessam ou que, à partida, vão quebrar o "protocolo" assumido com uma relação (e não falo só de questões amorosas).

Há alguns anos conheci uma rapariga que, sem dúvida, mudou muito o meu pensamento sobre a vida, em especial sobre as relações. A sua forma encarar as pessoas e a vida era totalmente diferente do que eu conhecia até então.. Ela costumava dizer que todas as relações se estabeleciam com interesses, não que etes fossem obrigatoriamente maus, mas mesmo assim existiam! As relações de namoro, por exemplo, eram estabelecidas (na melhor das hipóteses) com o interesse das pessoas se sentirem amadas e de amarem!
Durante anos estas ideias passearam pela minha mente, não gostava de pensar a vida assim! Mas acabei por aceitar, por ver esses interesses em todas as relações que estabeleci (mais visíveis ou menos, mas estão lá), as relações de amizade (diferentes com cada pessoa, porque também os interesses são diferentes), as relações de namoro, as relações de trabalho e da escola.. enfim... a única relação pura será a que mantemos connosco mesmos?!

Bom.. faz menos de duas semanas que eu e o Downthesun tivemos uma breve conversa com um amigo sobre este assunto.. ele falou-no de um livro que estava a ler que abordava a questão das relações e o amor! O autor do livro (cujo nome não me recordo) argumentava que ninguém podia manter uma relação de amor puro sem se amar a si próprio primeiro.. Isto é, o amor próprio anularia qualquer tipo de interesses que poderiamos ter numa relação com outro, tornando essa relação (caso se estabelecesse) uma relação pura!
Não podia concordar mais com essa teoria! Essa relação pura é para mim totalemente utópica, pois também é utópico o amor próprio no seu total! E mesmo que este exista (caso nunca confirmado por mim), se a pessoa em questão se ama tanto porque é que precisa de estabelecer relações de amor com outros?! O seu amor a si mesma ser-lhe-à suficiente, pois ao mesmo tempo é amada e ama, qual será então a razão para aturar outra pessoa que necessita do seu amor?!

Não sei se me fiz entender em relação a esta complicada questão! Gostava também de saber as vossas opiniões.. afinal é a discutir ponto de vistas que se formam teorias! :)

Publicado por Lady Sianna em 11:17 PM | Comentários (2) | TrackBack

Relações


Pegando no tema principal do último post, alertado pela Lady Sianna ao facto de o poder expandir mais com as minhas teorias, resolvi dedicar um post inteiro à minha visão das relação humanas. Apesar de estar ciente que não sou doutorado em sociologia, antropologia ou qualquer ciência humanística que estude, de qualquer forma, as relação humanas, tenho a minha própria opinião formada sobre o assunto.

Penso que, no ser humano, é instinto a necessidade de sobreviver da melhor maneira possível; a esta sobrevivência podemos incluir necessidades de conforto, bem estar psicológico e seguro. Aliado a isto está, como é claro, o bem estar físico. E, apesar de por vezes até gostarmos das pessoas, tentamos sempre, até inconscientemente, sair por cima das situações, tentamos prevalecer.
Sabendo disto tudo temos que nos confrontar com um protocolo imutável nas relações inter-pessoais; podemos chamar a esse protocolo um conjunto de regras e normas para se manter, em harmonia, uma relação. Os componentes constituintes desse protocolo são poucos mas, no entanto, muito conhecidos por todos nós: Respeito, Confiança e Honestidade.
Mas, por outro lado, sintetizando o conceito para uma dimensão maniqueísta, temos outro conjunto de acções que podem destruir a fragilidade que uma relação é. E essas acções podem-se resumir a um substantivo tantas vezes usado: Egoísmo. As crianças, não estando plenamente formadas, não padecem de responsabilidade pelos seus actos e, assim sendo, agem de acordo com as suas próprias necessidades e desejos. Porém, ao longo da vida, alguns de nós conseguimos evoluir e corrigir, dentro do possível, esta característica humana.

O nosso egoísmo, que reflecte a nossa falta de respeito, confiança e, por vezes, honestidade, é o factor determinante no declínio das relações. Mas não falo só nas mais fortes e íntimas. Falo de todas, desde as amizades mais antigas às mais recentes. Aos conhecidos de ontem e aos de há um ano. Muitos de nós não se apercebem disto. Eu próprio só muito recentemente tenho pensado nisto. E cheguei a duas simples conclusões.

-A relações são uma ténue linha;
-Basta a consciencialização do valor da pessoa para se evitar o egoísmo;

São simples frases. Simples ideias. Mas, no entanto, comigo parecem resultar nas minhas relações. E é da experiência que eu faço os meus juízos...

Some scars are meant to be worn with pride.
Every day is knowledge to use in life.
A lesson lived is a lesson learned.

Hatebreed

Publicado por Downthesun em 01:48 AM | Comentários (4) | TrackBack