junho 29, 2004

O Anticristo

Odeio o términus do ano lectivo. Todo aquele tempo todo dando as matérias, e trabalhos, com vagar, culmina no excesso de esforço nesta recta final. Por isso, quer eu, quer a Lady Sianna, temos descurado o Hopetears. As nossas mentes não se encontram muito funcionais e escassos intervalos aproveitamo-los com outras coisas que gostamos. Mas já andava sentir-me mal por não postar nada aqui. Porque eu queria, mas a inspiração é uma lacuna nos dias que correm.

Ora, o que é que me levou a postar aqui hoje? Eu, como já disse num post anterior, fui à feira do livro e, lá, comprei O Anticristo de Frederich Nietzsche. Comecei a ler algumas páginas hoje e dei por mim a babar-me na escrita desse filósofo cujo fim se deu com um colapso mental. Esta obra, escrita um antes do seu colapso mental, é, do que li até agora, genial. Genialmente bem escrita e muito filosófica...

Eu, pessoalmente, não me considero um niilista. Grande parte das posições de Nietzsche são, para mim, um pouco ou quanto extremistas de mais; mas, no entanto. algumas das suas afirmações fazem muito sentido...

O resto é apenas a humanidade. Há que ser superior à humanidade pela energia, pela elevação da alma... pelo desprezo...

Estas são as duas últimas frases do prefácio escrito por Nietzsche n'O Anticristo. Vi-me nestas frases. A minha posição crítica da sociedade poderá resumir-se nesta frase. Defendo, aguerridamente, a elevação da alma, do nosso espírito - através do conhecimento - para a nossa evolução. Defendo também o desprezo, o nojo - talvez até ódio - pela raça humana. Já dizia o Mr.Smith, no Matrix, que somos parasitas deste planeta. Sugamo-lo, sugamo-nos até à exaustão. E vivemos em contínuos ciclos destructivos.

Umas páginas à frente encontrei três questões que, acho eu, todos colocamos a certa altura da nossa vida:

-O que é o mal?
-O que é o bom?
-O que é a felicidade?

Nietzsche, aqui, oferece as suas respostas, dentro do seu ponto de vista. Não concordei com nenhuma, não por ter uma posição pré-concebida, mas sim por não ter uma posição coerente comigo mesmo. Talvez por isso sejam conhecidas como perguntas filosóficas...

E perguntei-me, após ler estas 3 perguntas, o que é a felicidade? Acho que cada um de nós tem uma resposta a essa pergunta. Acho que as respostas existentes são muito diferentes umas das outras.... Para mim, o que é felicidade? Ainda não tenho a certeza. Não consigo compreender na totalidade o sentido da própria palavra... Será apenas uma palavra para descrever um momento ou uma sucessão, contínua, de momentos?

Por agora é tudo. Tenho que me voltar a concentrar nos meus trabalhos e estudos. A correria de trabalhos, projectos, testes, etc só acaba, para mim, na segunda quinzena do mês de Julho. Até lá o blog deve permanecer um pouco parado... Mas enfim, por vezes faz-se um esforço para escrever qualquer coisa... Faz sempre bem à alma.


Publicado por Downthesun em 06:18 PM | Comentários (9) | TrackBack

junho 18, 2004

música...

Acabo de ler agora um post interessantíssimo de alguém que possui o dom da palavra. Um post sobre Propriedades... Aconselho a irem lá dar uma olhadela.

De certa forma, relacionando agora o tema do post acima referida, pus-me a pensar. Sim, concordo que certas músicas, que nos acompanharam durante certo período das nossas vidas, nos recordem desses tempos. E nos consigam por a chorar desalmadamente. Quase que a viver o sentimento desses tempos. É um dos poderes da música.

Podemos falar da música? Escreve-la de desenrolar a sua linha infinita de significados? Em cada um nós, no nosso fundo, jaz o seu significado. Podemos é não encontrar as palavras para a descrever. É como nós descrevermos o amor...

Publicado por Downthesun em 12:55 AM | Comentários (5) | TrackBack

junho 13, 2004

Ensaio sobre o Individualismo

Existe nos nossos tempos uma máquina única. Um autómato surpreendente, ambíguo e diversificado dos restantes seres humanos. Falo, pois, do indivíduo. A Lya Amy, num comentário ao post Crueza, chamou-me de antropocêntrico. Sou, sem dúvida. Na inteligência, na dedução e na mentalidade humana reside o futuro de todos nós. Conquistamos o planeta com a nossa artimanha, a nossa necessidade; e prevalecemos. Agora somos os senhores do mundo, controlamos tudo: habitats, recursos naturais, atmosfera. Tudo depende de nós. Mas, como tem vindo a ser provado com o tempo, a massificação, a acção em grupo e as mentalidades de colectivo destroíem a racionalização lógica e congruente do ser humano. Em vez disto passamos a ter o instinto ao de cima. Se na solidão somos magníficos, porquê, passe o termo, rebaixarmo-nos?

O futebol é, nos dias que correm, um evento que move massas. Move, de tal maneira, controlando inclusivamente o humor/estado de espírito. Lembram-se do Fehér? Esse jogador do Benfica, tão humano como eu, que morreu em directo perante milhares de olhos? Houve luto nacional. Mas, e as pessoas que assim morrem todos os dias, num anonímato eterno? Essas o povo não chora. Mas pior ainda é como uma equipa de futebol, uma SAD, ao ganhar um campeonato consegue criar euforia a pessoas que nada têm a haver, ou ganhar, com essa conquista? Como é que é possível a fomentação de ódios por causa destes eventos? A resposta é simples: o colectivo gosta, o indíviduo, na qualidade de ser social, adere.

No individualismo jaz a resposta, o futuro e a compreensão do passado. Atente-se no exemplo acima citado; um desporto consegue detorpar posições e éticas individuais. Ao sermos nós, com a nossa experiência, enriquecemos o mundo porque, com contacto social, enriquecemos outros. É um ciclo em cadeia. Os escritores não gostam de escrever o que lhes vai na alma? E não recebem comentários sobre isso? E isto aplica-se a quase todas as formas de arte. E, dentro deste contexto, a arte é uma forma de individualismo. Acredito, quase que cegamente, que dentro de cada um de nós, tirando máscaras, ignorãncia e arrogância, existe uma fonte de beleza. Uma humanidade; arte. Seremos nós capaz de recusar as acções em colectivo e cingirmo-nos a nós mesmos? Isto, claro, tendo em conta que nós somos as pessoas que nos rodeiam...


Publicado por Downthesun em 09:29 PM | Comentários (5) | TrackBack

junho 10, 2004

War for Territory

Bom, esta é a minha primeira foto aqui no blog!
Foi tirada no dia 4 de Junho durante o concerto de Sepultura! Espero que gostem...
Ah! Para quem não sabe a letra é da Territory de Sepultura

Publicado por Lady Sianna em 09:09 PM | Comentários (4) | TrackBack

junho 06, 2004

Crueza


Eu sempre gostei do que era grotesco. Acho que, no fundo, sempre amei o hediondo; gosto de violência, gosto de força e potência humanas. Gosto de algo, criado pelo ser humano, que seja cru. Tudo começou com a música. Em 1994 ouvi, pela primeira vez, o meu primo a tocar a Enter Sandman na guitarra acústica dele. Foi amor à primeira vista: pedi-lhe que me emprestasse um albúm deles. E, assim, chegou às minhas mãos o meu albúm preferido de todos os tempos. Ride The Lightning.

A raiva, sentimento e violência patente nas músicas e letras deste albúm dos Metallica encantou-me por completo. Precocemente tornei-me num headbanguer. E seguiram-se anos de fanatismo quase louco por Metallica onde ouvi tudo o que havia para ouvir deles. E à medida que mais ouvi, mas queria. Parti para outras bandas de metal pesado. Sepultura e Slayer são apenas exemplos... Mas por 1996 que andei todo possuído por Metallica e nasceu, aqui, o sonho de os ver ao vivo. Eles passaram por cá em 1999 mas fui impedido pelos meus pais a ir pois, segundo eles, era muito novo.

Dia 4 de Junho, 2004. Passado 10 anos de ouvir a banda da minha vida vi-os, finalmente. A Lady Sianna perguntou-me qual era a sensação de se ver a banda dos nossos sonhos. Eu respondi que era maravilhosa. E é. Acho que, como lhe disse ontem, não consigo arranjar palavras para descrever o melhor concerto da minha vida. Amei. Eu fui, vi e sorri.

Voltamos à crueza. Era tão cru o som dos metallica. Ainda o é. É violento, rápido e muito agressivo. E isso reflectiu-se no público que, ao longo do dia, com as várias bandas, foram fazendo crescer vários Mosh Pit's. Por gostar de tal violência talvez, talvez, seja por isso que tanto gostei d'A Casa Na Escuridão do José Luís Peixoto. Talvez, talvez, seja por isso que tenho uma banda de Death-Metal... talvez.

Eu não sou violento por natureza, não sou louco nem sádico. Apenas quando me picam. O adjectivo é, então, abelha...

A crueza é o que nos vem da alma e do instinto. A violência é naturalmente humana e, por isso, bela.

Publicado por Downthesun em 12:49 PM | Comentários (10) | TrackBack

junho 03, 2004

O Caderno

Desde muito míudo que escrevo para mim mesmo. Escrevo para exorcizar aquelas agulhas que nos trespassam a mente e, ao mesmo tempo, para aliviar a minha alma. Quando escrevo, leio-me; sinto-me como se, ao ler-me, estivesse a descobrir-me. As minhas ideias tornam-se mais clara, nítidas e compreensiveis. Nesses registos, cadernos, jazem os relatos da minha vida. Desde poemas, parágrafos de reflexão, desabafo de dias inteiros. E, ao reler nos dias que correm, revejo a minha evolução. A minha vida a ser uma árvore em crescimento e a começar a ter os primeiros frutos. Se ler os primeiros vejo a semente que originou essa árvore. De certa maneira, para mim, ler o que eu escrevi consolida-me. Já me perguntei se o que escrevo no blog se assemelha a escrever no caderno: Não, de maneira alguma. Os meus cadernos só são lidos por mim. A infinidade de promenores da minha vida está lá. E não me ajuda a consolidar posições e/ou certos valores da minha ética pessoal.

Hoje a Lady Sianna ofereceu-me, sem razão em especial, um presente. Ofereceu algo que eu já há algum tempo cobiço. Um caderno preto de capa dura. Não sei. Assim que o recebi explodi, à sua frente, em alegria. À pouco fiquei a olhar para ele. O que ele representa, em tão pouco tempo de existência na minha vida, é grandioso. Quem mo deu, o seu misticismo natural, a sua aura. De certa forma acho que até me dá inspiração. E mesmo eu, que não tenho jeito nenhum para artes desenhadas, quis desenhar nele. Escrevi-lhe nas primeiras páginas uma quadra de uma música de Moonspell. Alma Matter. Esse hino musical à língua portuguesa. E, com este caderno, começa mais um preenchimento, um registo, da minha existência.

Publicado por Downthesun em 12:04 AM | Comentários (3) | TrackBack