"Fecho os olhos, tenho a esperança de encontrar o fascinante e ansiado mundo dos sonhos na escuridão do meu interior. Mas só me vejo a mim, percebo que também hoje não dormirei.
Choro
Se odiar é fraqueza, então sou a mais fraca de todos. Odeio tudo, odeio-me a mim e a ti também! Odeio o mundo e a hipocrisia constante... Odeio as pessoas e as que nem isso são... odeio o Amor e o Ódio.. odeio....
Choro convulsivamente! Choro abertamente e sem vergonhas!
Quero morrer.. nada mais faço aqui!"
Princesa Desalento
O tempo passou, dilacerante como sempre, mas não me consumiu. As suas forças não foram, mais uma vez, em tantas vezes, suficientes para acabar com o resquício da minha alma; e por isso voltei. O contratempo foi ultrapassado, era de esperar, pois não há nada que a máquina capitalista não resolva. Mas o tempo trouxe consigo algumas coisas, pequenas trouxas, que se prenderam a mim: reflexões. Pedaços de raciocínios, esquissos de pensamentos que atordoaram a minha mente durante os dias que passaram. Tédio? Não, nunca. Apenas o doce travo da incógnita que é o tempo a passar, a pesar, sobre a minha existência. Eu confesso, assumo e admito que a minha existência tem andado adormecida; física e psicologicamente. Já dizia o Pessoa, o inconsciente de serviço, que "por isso eu tomo ópio, é um remédio...". Cada mal tem a sua cura, e cada pessoa tem o seu remédio. Os problemas nascem quando o remédio se apodera, toma conta, lentamente, do que somos por demasiado tempo; deixamos de ser nós e passamos a ser nada mais que matéria.
Com os dias de calor que nos trespassaram os sentidos, ao invés de seguir a corrente tradicional de alegria e felicidade, deixei-me, conscientemente, apoderar pela minha, tão habitual, melancolia. Quem me conhece - um escasso punhado de pessoas - conhece a minha melancolia, estado tal que me divide o espírito em duas formas: apatia e filosofia. Qual delas a melhor? Pergunta cuja resposta varia dependentemente do meu estado de espírito; subjectiva, então, por natureza. Dou por mim, muitas vezes, na minha cama a pensar no meu passado, no meu presente e tentar lutar pelo meu futuro. A melancolia é a minha arma para pensar e, ao mesmo tempo, o meu escudo para não pensar demais. Na noite, nesse conforto eterno, encontro-me. Mas não encontro apenas quem sou, encontro também quem fui e tento encontrar quem serei.
Sonhai! - Oh ignorância - digo eu àqueles que nada temem pois nada sabem. Que sonhem, que sejam iludidos por uma verdade só deles - a que não existe - e morram contentes com os frutos do seu pensamento. Sonhem pois eu hoje vi uma pureza inagualável; guardei-a dentro de mim e não a partilhei. Quis reviver essa inocência sózinho e tentar, de alguma forma, percebê-la. Nietzsche ficaria chateado, quiçá invejoso, do que eu vi e testemunhei. Falo pois, e sem rodeios, do Super-Humano. Um misto de inteligência, interesse, empenhamento, versatilidade, polivalência e dedicação que, até a mim, o pessimista, me surpreendeu. Posso comprovar que o seu único propósito na sua vida assemelha-se ao pensamento dos Antigos, ao pensamento daqueles que inventaram o pensamento. Trata-te, pois, do conhecimento. Esse tal de Super-Humano - o anti ignorância - é munido de virtudes. E a sua maior é a modéstia.
O passado. Instantes dentro de momentos que no futuro tornam-se memórias ou fantasmas. Todos nós, Humanos, temos fantasmas do passado; erros, actos e pessoas. Talvez tenhamos mais. Talvez o não saber definir um fantasma do passada seja, por si só, um fantasma dentro de instantes. Vivemos com a nossa alma, pesada por fantasmas e que, raramente, é avivada com memórias. Reencontrei um, um velho amigo meu, há uns dias. A insónia. Já não me lembrava o que era ter sono, muito sono, ansiar loucamente por dormir e, simplesmente, não conseguir. Mas o hábito faz o monge. As lâminas desgastam a minha, cada vez mais, fútil existência. Lâminas do tempo. Do meu tempo...
Pensei bastante se devia postar o que se segue. Quando iniciamos o blog eu e o Downthesun decidimos escrever sobre o que nos vai no pensamento e no coração, deixando para segundo plano os acontecimentos do nosso dia-a-dia e os escândalos do mundo... Mas há coisas que realmente me emocionam...
Comemora-se hoje trinta anos do histórico 25 de Abril. Não era viva... aliás a minha mãe ainda era uma adolescente inconsequente e o meu pai um jovenzito cheio de ideais...
No entanto, apesar de não saber o que é viver num estado não democrático, emociono-me sempre quando vejo imagens do 25 de Abril... quando vejo todas aquelas pessoas cheias de esperança no futuro... Quando vejo todas aquelas almas ganharem uma nova vida, uma vida que lhes permitia sonhar com um mundo melhor!
Hoje vi como esse sonhos se defizeram...
Estava em casa dos meus avós a folhear uma revista que trazia uns quantos artigos referentes à revolução (ou evolução segundo a propaganda). O meu avô, que estava a espiar a revista por cima do meu ombro, interrompia a minha leitura com os seus habituais comentários interessantes.
Um dos artigos eram fotos, fotos de momentos marcantes da revolução... Enquanto observava a foto do 1º de Maio de 74 ouvi-o sussurrar que nunca tinha visto uma festa tão grande, tão intensa, tão marcante quanto aquela... que era um daqueles momentos que se guardam com carinho no coração, e enquanto me dizia isto vi uma lágrima no canto do olho. Levantou-se e saiu da sala. Voltou alguns minutos mais tarde e disse-me "Sabes, tínhamos tantos sonhos, achavamos que a vida ia melhorar, que iamos ser mais felizes... E olha agora para como vivemos! Já nem há respeito pelas pessoas..."
E pergunto-me, eu que não vivi a a revolução e que pouco a estudei na escola, o que acabou com todos aqueles sonhos?! O que fez as pessoas desistirem?!
Questiono-me a mim mesma como era viver como um zoombie?! Já não me lembro...
Pergunto-me se era bom viver toldada da dor, se era bom resolver todos os problemas da vida com um namorado e um guarda roupa novo?!
Sinto cada minutos, cada segundo da minha inútil vida a passar.. sinto o tempo passar por mim enquanto me questiono sobre questões relevantes, sinto o mundo passar e destruir-me lentamente..
Questiono-me se será bom não ter alma e ser somente um invólucro em forma corpo humano adornado por objectos insignificantes com a capacidade de fazer surgir um sorriso vidrado na cara dos pseudo indivíduos.
Deve ser bom. Deve ser bom não sentir a derrocada lenta do Homem, deve ser bom não sentir o esmagamento da alma,deve ser bom não pôr em dúvida constantemente o mundo, deve ser boa... a pseudo-vida...
Deve ser boa para quem quer, acima de tudo, um sorriso na cara, uma vida medíocre e o vácuo no lugar da alma...
Apesar de tudo, prefiro agarrar-me à dor e VIVER os poucos momentos de felicidade que tenho o privilégio de gozar... Fico bem assim!
"You and I are underdosed and we're ready to fall... Raised to be stupid, thaught to be nothing at all"
P.S. O blog vai andar bem mais triste... infelizmente o computador do meu querido parceiro de blog resolveu entrar em coma (pensa-se que a tentativa de suicídio se deveu ao stress causadas pelas horas em que se manteve ligado ininterruptamente). Bom... ele voltará quando houver dinheiro para arranjar o PC! Entretanto têm de se contentar só comigo...
Ai! A apatia é uma sensação(?) tremendamente ambígua! Isto se, claro, estiver misturada com vontade de escrever; o turbilhão de pensamentos que queremos ver escritos não para e, a sua incessante formação, resulta em confusão. Será essa "confusão", esse remoinho de pensamentos, a nossa mente em colisão? Não, não deve ser. Apesar de tudo, ainda consigo pensar.
Escrever. As letras, desde muito cedo, exerceram um papel muito importante no que eu sou. Conjuntos de letras formando palavras, formando frases, formando parágrafos e dando sentido a uma mente, um sonho, uma criação. Acho a literatura, toda ela, linda e mágnífica. São sempre pensamentos e personalidades que, de alguma forma, vão acabar como letras. Escrita. Essa arte, esse dom, que sempre me encantou. Perco-me em livros; isso, por si só, constitui um dos maiores prazeres que tenho. Ou que consigo ter.
Escrever; funciona como o catalizador da minha mente. Ao escrever, são inúmeros os fenómenos que sofro. Consigo, por vezes simultaneamente, exorcizar demónios e analisar o mundo melhor. Pinto, com letras, o meu mundo. O que eu vejo, o que eu sinto. E posso, posteriormente, ler o que escrevi. Não é bom? Eu gosto. Adoro. Amo?
Amar... Pessoas; são as principais. A excepção do meu ódio, geral, pela raça humana. Materiais? Não, nunca. Nunca poderão obter relevo na minha alma. Música? Sim... Muito. Inexplicável. Escrita? O meu primeiro Amor...
TABACARIA
"...Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho genios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido..."
Álvaro de Campos
Já fez dez anos… Não me lembro como estava o dia, nem me lembro ao certo do que pensei. Tinha 10 anos e recordo-me de ter ouvido na TV falarem de um cantor americano que se tinha suicidado. Tinha 10 anos e tinha ouvido as suas músicas pela primeira vez há algumas semanas através dum primo. Não me lembro de ter pensado nada de mais, ainda não tinha idade para pensar o que leva ao suicídio de alguém.
O meu interesse por música foi crescendo, tal como o meu interesse por Nirvana. Se for a ver bem, acho que não posso dissociá-los, a minha cultura musical começou em Nirvana, tal como a minha consciência e raiva pelo mundo.
Os problemas cá por casa começaram nessa altura, ou pelo menos assim é na minha cabeça. Tinha deixado de ser criança, apercebia-me das coisas agora, e achei que podia mudar o mundo, este pequeno mundo que me continua a sufocar. Falei, hoje não me arrependo de o ter feito, mas não teria tantas esperanças em mudar as pessoas.
Num mundo onde eu estava só e era indiferente. Num mundo que não me queria e para o qual eu me sentia imprestável. Dia a dia aprendi a viver num mundo que ainda hoje sobrevive, com mais ou menos derrocadas, criei uma personagem de quem o mundo gosta (ou pelo menos não desgosta). Ela sorri bastante, fala pouco, não se impõe e para quem quer é invisível. Consegui a minha juventude através da minha criação. Fiz aquilo que se espera de uma adolescente, tive “amigos” e tive manias… mas era tudo farsa.
Cortei-me pela primeira vez aos 13 anos a ouvir Nirvana. Sempre tive noção da hipocrisia que era a minha vida. Sentia-me reconfortada por ouvir aquela angústia, ironia e dor na voz de outro… dizia por mim aquilo que eu não podia mostrar ao mundo, não me sentia tão só! Não sei se era de mim, mas todos me pareciam felizes nas suas vidas… as meninas sofriam por causa dos meninos e eles eram felizes com uma bola de futebol e a tarde livre. Eu desejava por chegar a casa, fechar-me no meu quarto e ser eu… queria chorar… pouco me interessava viver, e olhando hoje em retrospectiva não sei onde fui buscar coragem para sobreviver. A minha única companheira era a música.
Tudo começa sempre bem... somos inconscientes e acreditamos que a vida é simples e cor de rosa como nos fazem sempre acreditar… Uns descobrem mais cedo que o mundo é uma farsa, outros nunca vão descobrir. Aos meus 13 anos o meu único amigo, a única pessoa que também sabia o que era dor no meu mundo, era um cadáver, um espectro que ressoava todos os dias na minha aparelhagem de um menino que apanhou o seu primeiro desgosto quando soube que os Beatles já não eram uma banda. Partilhei com ele todas as minhas mágoas porque julgava que mais ninguém as perceberia! Tal como ele, eu sorrio para o mundo, um sorriso de mentira em que todos acreditam…
Ao iniciar este texto queria mostrar-vos um pouco da minha paixão por Nirvana, e acabei por falar mais de mim. Peço desculpa… Nirvana é a banda sonora de uma altura muito conturbada da minha vida que ainda não acabou… e já foi há 10 anos!
Sentado num canto escuro de uma sala gélida de vida procuras uma forma de sair, de romper com a tua solidão, de encontrares uma das partes que faltam à tua alma...
Na tua mão um caderno preto, um pequeno caderno para todos os teus sentimentos, ambições e prazeres. Um caderno, o caderno da tua vida, da tua insignificante vida. E escreves, escreves frenéticamente numa folha que para todos os que te rodeiam é vazia.
Procuraste evitar o destino que todos te apontaram... seria tão mais fácil ser mais um zombie e ver a vida como algo de maravilhoso, sentir o tempo flutuar, ser só mais um e aguentar um sorriso...
Onde tudo começou?! Se calhar já nasceste assim, o fado pintou a tua vida de negro e tu aceitaste, aceitaste porque não vale a pena viver de outra forma. A dor que tu nunca sentiste aproximar porque teve sempre contigo, hoje esmaga o teu ser, hoje mais do que noutros dias, esta noite mais do que noutras noites, neste momento mais do que em todos os momentos por ti já vividos.
E escreves, pintas palavras que te fazem sentido, contas sonhos e desgostos, contas a tua dor e a alegria com que nunca te deliciaste, falas dos outros e de ti, pintas sorrisos e raivas... Escreves, mas não é para ti.. queres que os outros também vejam o teu negro, queres que eles tomem a tua dor e sobrevivam com ela, queres abrir a porta do teu mundo.. o teu mundo...
Agora mais do que em qualquer outro momento o teu coração aperta... a dor é demais para ti. Para quê viver neste momento?! Para quê esperar pela sua degradação, para quê esperar por outro momento?!
Largas o teu caderno... percebes que as palavras nada dirão a outros, apenas a ti.
O momento está a passar e a seguir virá outro pior, outro calafrio na espinha, outra dor no coração, outro nó na garganta, mais raiva! Esperas.. procuras mais dor e ao a sentires abres a primeira ferida, cai uma lágrima.. de raiva, de dor, de prazer?!
Momento após momentos, ferida após ferida tentas matar a tua dor, tentas acabar com a tua existência, tentas apagar-te!
Olhas uma última vez para a sala gélida, para o teu canto escuro, para o teu caderno de palavras... o teu caderno de vida... e num último esforço fecha-lo!
"O amor é o sangue do sol dentro do sol. A inocência repetida mil vezes na vontade sincera de desejar que o céu compreenda. Levantam-se tempestades frágeis e delicadas na respiração vegetal do amor. Como uma planta a crescer da terra. O amor é a luz do sol a beber a voz doce dessa planta. Algo dentro de qualquer coisa profunda. O amor é o sentido de todas as palavras impossíveis. Atravessar o interior de uma montanha. Correr pelas horas originais do mundo. O amor é a paz fresca e a combustão de um incêndio dentro, dentro, dentro, dentro, dentro dos dias. Em cada instante da manhã, o céu a deslizar como um rio. À tarde, o sol como uma certeza. O amor é feito de mar, de ondas na distância do oceano e de areia eterna. O amor é feito de tantas coisas opostas e verdadeiras. Nascem lugares para o amor e, nesses jardins etéreos, a salvação é uma brisa que cai sobre o rosto suavemente."
in Uma casa na Escuridão de José Luís Peixoto
Devo confessar que, apesar de há pouco tempo descoberto por mim, este é um dos meus autores preferidos.. A sua escrita não é propriamente fácil, mas o sentimento nela presente é arrebatador!
Os anos passaram e, com eles, trouxeram um novo aroma a uma vida. Um sabor que é tão habitual, tão comum, tão delicioso. Falo, claro, da dor. A textura quase palpável de um sentimento, as lágrimas quentes que dela, por vezes, derramamos; gotas num oceano que se vai construindo tal e qual como um livro. Primeiramente temos o seu início, com o passar dos dias vamos conhecendo o seu desenvolvimento. O fim, de tudo, do livro, de nós, encerra mais uma narração, entre milhares. É um fardo que a Humanidade carrega desde que nos afirmamos como racionais. Seremos mesmo racionais?
O termo racional, graças à raça humana, trouxe a discórdia na minha cabeça. Orgulhamo-nos da nossa inteligência, dedução, capacidade filosófica, argumentação, ciência. Mas, devido a estas qualidades(?), cometemos os piores erros. Seguimos, afincadamente, os nossos ideais. Ideais esses que não são bem nossos, são de outros seres que, por acaso, os escreveram para a posterioridade. Seguimo-los, sem olhar, sem pensar, e vivemos por ele. E contra a diferença - nascimento do preconceito. E, ainda mais, o mundo ocidental preza-se muito pela sua evolução tecnológica; Que, para além de muito bem feito em prol do Homem, causa Hiroshima, Nagasaki, Chernobyl, George W. Bush (só com muita ciência, muito complexa, é que se pode compreender o "xinhôr" dos States). Pensamos? Será que realmente pensamos?
Sofremos, sabemos que a dor é um estado incómodo. Sabemos, igualmente, que é melhor agirmos bem com o mundo que ele, mais tarde, nos sorrirá. Mas com a nossa existência cometemos pequenos(grandes) precalços. Caros "acidentes de percurso". Procuramos, quase que doentiamente, a salvação noutros sítios, noutras ideias, noutras pessoas. Mas a verdadeira salvação não reside num livro, numa pessoa ou numa ideia. Co-existe com nós próprios. Tentarmos agir connosco, com a nossa moral, com a nossa ideia, só nos leva ao nosso próprio bem estar. Tudo bem até aqui. É a ideia de muitos milhares de pessoas. Mas há algo mais importante a acrescentar. Respeitar sempre o próximo, o outro.
As I would die now... for one last wish...
É a vida será sempre uma eterna incógnita, uma incerteza personificada nos tempos. Se encararmos o mundo, o universo, como uma peça teatral de grande magnitude, saberemos, quase de certeza, que a vida desempenha um papel secundário. A vida é a personagem misteriosa cujo destino e desfecho serão sempre suspense total. No decorrer de cada dia, cada gota temporal, o nosso corpo, para além do desgaste da existência, perde mais uma incógnita. A ganhamos certezas ao vivermos; a certeza de que amanhã será sempre mais um dia. Viver não trás nada de novo pois, hoje em dia, vivemos rotina, ciclos. Filosofando pelos tempos, nós hoje em dia somos o produto, sempre inconstante, da nossa História. Se tomarmos como História o nosso passado, então a história somos nós. Porque todos os humanos são feitos de passado.
Viver, para os que pensam, torna-se exausto. A exaustão vem da frieza que, quase que inconscientemente, criamos. A nossa protecção peranto o mundo que nos rodeia. Mas o frio, o nosso coração, a nossa alma, alimenta-nos. É o pão nosso de cada dia. Sugamos do mundo o seu ódio e assimilamos mais frieza, crueldade e indiferença. Quem tiver um pingo de inteligência não liga ao mundo. Ele nunca nos ligou, nem é agora que o vai fazer. Interliguem-se com aqueles que amam, vivam os momentos, os instantes, com essas pessoas... Porque o resto é supérfluo.
And the bitterness inside
Is growing like the new born
Os primeiros filósofos gregos com as suas teorias filosóficas sobre o mundo - Nada é eterno, tudo flui - conseguiram, de certo mundo, descrever a efemeridade da raça humana. Os erros acompanham-nos desde os primórdios dos tempos e, à medida que evoluímos, vamos considerando-nos imortais. Camões disse que por grandes feitos e acções, certas pessoas, "da lei da morte" se vão libertando. A morte é certa. A evolução é que não... O abismo de dor, violência e ódio aproxima-se. E não fazemos nada para evitar.
Disseram-me, em tempos, uma frase. Aliás, escreveram-na num livro que me foi oferecido. Quero aplicá-la, agora e para sempre, àqueles que Amo
Viver todos os dias só cansa a quem não tem o privilégio de conhecer pessoas como tu...
Porque dentro da imensidão do ódio e da decadência, encontramos excepções. Aqueles que nos impedem de por um termo à nossa vida...