À medida que a entrada número 100 se aproxima eu, alegremente, sonho/penso em fotografia. É uma arte inaguálavel onde realmente se captam momentos, lugares e tempos que, simplesmente, são conotados de uma beleza infinitamente grandiosa. É uma exposição de sentimentos, cores, texturas... É indescritível. Eu gostaria muito de conseguir entrar nesse mundo... Mas os custos dos materiais, principalmente os digitais, são muito superiores ao que eu posso comprar. Portanto deixo essa arte, esse prazer, para quem sabe...
Sempre acreditei poder pintar com as palavras. Um conjunto de palavras organizada por uma maneira que difere de ser para ser pode, muito possivelmente, formar um quadro. Um quadro de palavras que pode pintar emoções, sentimentos, momentos de alegria ou, pior, auges de tristeza e desespero. Saudosismo.
Então não é que até fomos nós, Portugueses, na costa plantados, que inventamos a pobre da palavra. Saudosismo. É indescutivel a magnificiência da nossa lingua mãe. As palavras deslizam como manteiga numa torrada. Temos sons, expressões apaixonantes. Alma Matter.
Pintar... O pensamento volta a ecoar na minha cabeça. Quero pintar, quero desenhar mas, desta vez, sem palavras. Queria ter e engenho de Hyuronimus Bosh(penso que assim que se escreve... não tenho certeza) ou arte de Salvador Dali. Eles, sem palavras, comunicam por pinceladas. Pêlo embebido em tinta retrata a vida e molda-a a seu bel prazer. É desilusão não ter jeito para pintar. Escrever...
É o meu úlitmo recurso. Não é que sinta que sou um mestre da Língua Portuguesa mas sim que é a única forma de que eu tenho para me expressar. Livremente, sem quaisquer restrições, ditanto para a posterioridade o que a minha alma sente. Narcisismos e arrogâncias à parte, devo confessar o prazer imenso que sinto quando revejo textos meus. Os do blog, os de pequenos cadernos meus. Escrever é o meu escape mental. A escrita, juntamente com o meu Anjo, é meu ouvinte. A minha própria compreensão...
"Jeremy spoke in class today..." - Pearl Jam
Na minha interminável tarde de estudo cruzei-me com uma teoria bastante interessante (convém frisar que o meu estudo se limitou à cadeira de Teorias da Comunicação). Como não tenciono fazer nenhuma exposição científica da teoria vou ser bastante breve! (até porque também mereço jantar)
O Ex.mo Sr. Luhman começa por afirmar que a comunicação é improvável e que esta improbabilidade se deve a 3 problemas:
- "é improvável que alguém compreenda o que o outro quer dizer" (isto fez-me lembrar um antigo post)
- o problema do acesso aos receptores ("O problema assenta na extensão espacial e temporal." Na minha humilde opinião, este é o problema mais perto da resolução, uma vez que os media permitem que a mensagem chegue a territórios longínquos e invenções como a escrita permitem a sua perpetuação pelo tempo!)
- a última improbabilidade é a de obter o resultado desejado (sendo que, como resultado desejado entende-se a adopção, por parte do receptor, do conteúdo da comunicação como parte do seu comportamento.)
(E agora a parte mais empolgante...)
Estas improbabilidades funcionam como "factores de dissusão", já que "os sujeitos abster-se-ão de comunicar no momento em que não tenham garantias suficientes de que a sua mensagem vai chegar a outras pessoas, de que vai ser compreendida e de que vai cumprir os seus objectivos"...
Isto, dito de uma forma mais simples... Calem a boca quando vêem que vão gastar o vosso latim à toa! Mais vale calar a boca!
E já se andavam a acumular alguns dias sem que um novo post desse entrada. Pelo menos eu tinha saudades! Infelizmente eu e a co-autora do blog, Lady Sianna, estudamos e temos que dosear o nosso tempo... Mas por vezes certas coisas têm que ser postas de lado. "Valores mais altos se alevantam" :) Finalmente consegui desencantar o tempo/esforço para o Post.
São tantos os problemas do nosso mundo. É tanta a miséria que se encontra nas nossas ruas, lares e escolas que me leva, consequentemente, a sentir um sentimento misto de impotência e revolta. São erros. Analisando o cerne da questão numa abordagem mais matemática, encontramos nada mais, nada menos que problemas cujas soluções são para o infinito ou então impossíveis. São muito tristes as histórias que se vêm no nosso mundo... Morrem, todos os dias, pessoas de forma dolorosa ou cruel. E, todos os dias também, são mortas pessoas. É triste, por exemplo, ver-se a polémica originada à morte em directo de um jogador de futebol. O país fica todo de luto. Num sofrimento idêntico à morte de um amigo... Mas não é um amigo que morreu. É um desconhecido que joga futebol e aparece na T.V. Como ele morrem pessoas assim todos os dias. E não vejo o País de luto por isso... É triste.
Mais triste ainda é o dia de hoje. Faz hoje 2 anos que traí uma namorada minha. Ela não exerceu qualquer tipo de vingança sobre o meu feito. Mas a dor que adveio disso foi mais que uma paga... Há alturas em que penso que paguei por todos os erros da minha vida. Se quisesse resumir o que me aconteceu seria dizer que tudo o que eu era, conheci e amava mudou. A minha vida ficou de pantanas. Não havia nada por onde lhe pegar e apenas um número muito restricto de pessoas, 4 no total, é que me deram o apoio que eu tanto precisei... É... Há dias que marcam.
O amor faz o mundo girar?! Faz o homem mudar??? Que mentira... não só é um dado adquirido, em termos científicos, que o amor não tem qualquer tipo de efeito na rotação do planeta, como a maioria do "amor" que anda por aí não passa de uma enxurrada de ilusões causadas por ultra exposição a contos de fadas! E por amor de Deus, já viram REALMENTE alguém mudar por amor?? (quem conhecer um caso, por favor contacte-me, pode ser que ganhe mais respeito a esta sociedade!)
Na minha humilde experiência de vida, o que me motiva, o que me fez "girar" até hoje foi a raiva... É triste, mas é verdade... tenho 20 anos e metade da minha existência teve sempre por objectivo mostrar-me superior a um indivíduo.. a raiva, o ódio, o nojo que tenho a semelhante ser é para mim indescrítivel... não existem palavras suficientemente fortes para o adjectivar.
Infelizmente, ainda não tive a possibilidade de escolher deixá-lo.. infelizmente, o ser que todos os dias me tortura um pouco mais coabita comigo, e todos os dias, quando me encontro com ele à hora de jantar, tenho de me fingir oca para não demonstrar toda a repulsa que o indivíduo me provoca...
Mas um dia... um dia vou mostrar-lhe por acções o quanto o odeio, vou esfregar-lhe na cara toda a dor que me causou, e depois... depois, vou deixá-lo a apodrecer, num mundinho onde pode viver só com todas a glórias de merda que alcançou na vida... vou deixá-lo a sentir -se o rei de um mundo em ruína.. onde só vive ele...
O mundo em que vivemos, muito infelizmente, tem vindo a atingir proporções de violência extremas. A discriminação, ódio, arrogância e ignorância contribuem para a contínua queda da sociedade em que vivemos. Cada vez mais podre e nós, humanos, existimos num estado constante de habituação. Quantos de nós ficam muito surpreendidos por um certo fulano ter morto a mulher? É o prato do dia(mais concretamente ao jantar...) nos meios de comunicação. Vemos a decadência personificada em nosso redor, à volta dos que nos são queridos, e ficamos impávidos a ver a degradação.
Um dos meus melhores amigos hoje foi vítima de uma tentativa de assalto. Ao resistir, vulgo, recusar dar os seus pertences conseguidos ao custo do seu próprio suor, foi violentamente agredido por um grupo de 6 jovens. Como podemos nós negar ódio, vinganças e arrogâncias quando o meio-ambiente em que vivemos é isto? Todos os dias são milhares de pessoas roubadas, espancadas, violadas e torturadas por esse mundo fora... E, como é mais que sabido, a violência só gera mais violência. Assim, formam-se constantes ciclos(nefastos e muito viciosos) de racismo, ódio político e sexismo. Será assim tão difícil vivermos em harmonia?
As pessoas falam de soluções "que resolviam esta merda toda". Racismo levado ao extremo devido à raiva sugere a morte dos "pretos", esse gândulos que andam por aí a roubar as pessoas. Não pensam que não são só pretos que roubam. Os brancos, amarelos, cor-de-rosa e lilás também roubam. Não é uma questão racial, é uma questão social. É um certo esterotipo que, tristemente, rouba, não por necessidade de sobreviver, mas sim por necessidade de afirmação. É uma "sub-cultura",vulgo monte de merda, que se assume como os que respeitam e são respeitados. As minhas ideais de solucionar estes problemas assentariam em acabar com as desigualdades sociais. Mas como isto é um mero conceito repleto de utopia... Não pode funcionar a curto-prazo. E é a curto-prazo que, para evitar guerras campais nas nossas cidades, precisamos de agir. Os meus princípios-base assentam no respeito. Quem me falta ao respeito deve pagar. Se me tentarem assaltar, de modo a não ferir o meu orgulho, pago na mesma moeda em que for tratado. Felizmente posso agir assim pois tenho algum porte físico. E que fazem aqueles que, físicamente, não têm hipóteses de defesa? Correr? ... É todo um conjunto de problemas adjacente a esta questão. E as soluções que devem ser criadas não existem. Eu não as encontro. As de curto-prazo são demasiado violentas e as de longo-prazo irão acabar num extremo... Qualquer dia os arredores de Lisboa serão muito semelhantes às favelas brasileiras.
Acho triste não conseguirmos viver em harmonia. Sem ódios. Mas o ser humano é mesmo assim. Nojento e odioso. Apesar de sermos capazes de feitos corajosos e muito honrosos, temos a capacidade de sermos frios e cruéis para com os outros. E assim vivemos todos os dias... De olhos fechados negando a realidade... E qualquer dia vamos-nos arrepender da violência que vamos "admitindo" todos os dias.
"And all the children sing... We hate love... We love hate." - Marilyn Manson in Irresponsable Hate Anthem
Inês Pedrosa, considerada um dos ícones mais originais de uma geração de ficcionistas portugueses, nasceu a 1962. Licenciada em Comunicação Social, tem vindo a escrever ao longo da sua vida e, efectivamente, já publicou 8 romances. Que escritora. A sua literatura é contagiante. Envolve sempre um misto de beleza saudosista com o misticismo adjacente ao sangue literário Português.
Ando agora a ler o "Fica Comigo Esta Noite", um livro que segue, fielmente, a tipologia de escrita da Inês. Mas não é deste livro, ainda não lido na totalidade, que quero falar. Quero falar do romance "Fazes-me Falta". Que brilhante. Uma genialidade conseguida através de críticas, apesar de subtis, aos costumes de relações da sociedade. Uma história de amor não-lamechas. Uma história sobre uma relação outrora perfeita e muito agradável que, lentamente, foi-se degradando com o evoluir dos tempos. As pessoas mudam e, por vezes, essa mudança não é notada. Notada por nós, que mudamos. É um livro que ilumina o pensamento a qualquer um de nós. A sua beleza é, no mínimo, perfeita.
Por úlitmo, como não podia deixar de ser, deixo-vos o link para o website dela. Leiam porque, muito sinceramente, vale muito a pena.
Sempre vosso,
Nós, na condição de seres humanos, pecamos por defeito. Sendo o pecado uma definição estritamente católica que, estupidamente, funciona como sanção aos prazeres mais básicos da nossa existência, pecamos. O termo também é usado no nosso dia-a-dia para descrever pequenos delitos que nós, alegremente, cometemos. E, em cada sítio que eu respiro, vejo cenas que eu considero, no mínimo, nojentas. Pequenos "pecados"(atente-se no promenores das aspas, estão lá por alguma razão) que se cometem. Alguns deles são autênticas barbaridades e/ou atentados à sociedade. Este meu estado de indignação, apesar de hoje até estar de bom humor, provém de uma cena que eu vi na minha escola... Penso que não existem palavras para a descrever pois, no meu entender, não consigo sequer compreender.
A minha escola é uma instituição apetrechada de hipocrisia, falsismos e, claro, muita arrogância. É um aglomerado daquelas pessoas ôcas e vazias que eu tanto repugno e, no entanto, tenho que viver com elas todos os dias... Ora há cerca de uma semana ouvi uma conversa fraternal que consistia em dar conselhos a um colega meu, o Xpto, em como conquistar uma menina muito cobiçada naquela escola. No final da dissertação de conselhos, uma alma inteligente, o ZéDread, disse que a menina tinha namorado. Cara de enterro geral. Apesar de o Xpto ser uma pessoa muito persistente, é apenas humano e entendeu por bem desistir da sua insistência. Até aqui tudo bem e muito cor-de-rosa, mas o molho vem agora...
Ora hoje, após ouvir inúmeros gabanços de conquistas da parte do ZéDread, vejo uma cena típicamente portuguesa: Ele a fazer a corte à tal menina e ela a corresponder. Tal foi a lábia do senhor que lá acabaram por se comer. Ela, alguns minutos depois, recebe um telefonema e vai ter, como se nada tivesse acontecido, com o namorado...
Moral da história: Temos amigos que nos dão facadas nas costas fazendo-se à pessoa que nós gostamos. Temos pessoas que simplesmente não têm escrúpulos ou respeito para com o seu parceiro numa relação. E isto, muito infelizmente, acontece todos os dias no nosso mundo. Não há chamadas à razão. Há apenas frieza, crueldade e muita hipocrisia. No fim do dia ainda fiz uma pergunta ao ZéDread - "Sabes que ela tem namorado?" - e ele apenas respondeu, de forma gloriosa : "não sou invejoso". É isto a realidade que nós, sociedade, aceitamos todos os dias. Magoamos pessoas e destruímos relações sem pensarmos duas vezes... É triste e muito deprimente.
Sempre vosso,
You need to take a closer look at me
Cause I was born to be the thorn in your side
No matter what you think you're gonna see
You never wanted this barrage of fucking pride
You don't want none of me
You've got a fucking catheter in your brain
Pissing your common sense away
When you draw first blood you can't stop this fight
For my own peace of mind - I'm going to
Tear your fucking eyes out
Rip your fucking flesh off
Beat you till you're just a fucking lifeless carcass
Fuck you and your progress
Watch me fucking regress
You were made to take the fall - now you're nothing
Payback's a bitch motherfucker
You only live to be a parasite
Your life must suck when nothing's going your way
Everything melts away before your eyes
You're just a punk that doesn't have the sense to get away
Get the fuck away
You've got a fucking catheter in your brain
Pissing your common sense away
When you draw first blood you can't stop this fight
For my own peace of mind - I'm going to
Tear your fucking eyes out
Rip your fucking flesh off
Beat you till you're just a fucking lifeless carcass
Fuck you and your progress
Watch me fucking regress
You were made to take the fall - now you're nothing
Payback's a bitch motherfucker
I will never become your fucking scapegoat
I don't know how it feels to come up short
I only want vengeance
To come shining down on me
I don't want you to die
Before I get the chance to kill you myself
You've got a fucking catheter in your brain
Pissing your common sense away
This is for the mindfuck
This is for the hell of it
This is for me- I'm going to
Tear your fucking eyes out
Rip your fucking flesh off
Beat you till you're just a fucking lifeless carcass
Fuck you and your progress
Watch me fucking regress
You were made to take the fall - now you're nothing
Tear your fucking eyes out
Rip your fucking flesh off
Beat you till you're just a fucking lifeless carcass
Fuck you and your progress
Watch me fucking regress
You were made to take the fall - now you're nothing
Now you're nothing
Slayer - God Hates Us All - Payback
Esta é uma das minhas músicas preferidas. A vingança é um prato que se serve sempre frio. E não me venham dizer que não é assim que se resolvem as coisas. Há que fazer pagar aqueles que nos magoam.
Já faz uns dias que tento escrever este post... talvez desta vez seja definitivo!
Há cerca de um ano atrás, numa altura má da minha vida, pus em causa todos os meus valores, tudo o que era e "possuía"... a amizade foi um dos campos onde me vi obrigada a encarar a realidade! A verdade é que mantinha muitas relações de pseudo-amizade, tentava sempre agradar os outros e no fim quem andava mal triste e sozinha era eu!
Sempre que passo pelo miau preto recordo-me desses maus momentos (que por acaso estenderam-se por meses)... lembro-me do medo de olhar para mim e sentir-me vazia e sozinha! principalmente sozinha!! A solidão sempre me assustou..
Tudo piorou quando dei por mim a pedir ajuda, desesperadamente, e ninguém me respondeu! Gritei muito, chorei ainda mais, desisiti de planos, perdi pessoas... Revoltei-me contra o mundo e ponderei as mais variadas soluções para sair dele! E bastou um simples "tens de pensar que se calhar a culpa não é tua, mas sim dos outros!" (incrível como basta ter atenção ao que nos dizem!)
para o meu mundo mudar! Olhei à volta e percebi como o mundo é feito de farsas... percebi que não desejava as "amizades" que guardava religiosamente no meu coração... Não perdoei a ninguém pelo egoísmo, não me arrependo disso! Aos que achei que mereciam outra oportunidade, pus os factos na mesa e expliquei que não seria branda.. "Mereço tanto afecto quanto o que dou!"
A vida tem destas coisas, e o que começou como uma indecisão no curso, passou a uma crise de identidade que acabou por resolver o que me fazia infeliz em mim! O meu sorriso permanente quebrou... mas ainda bem!
Já não tenho medo de ficar a sós comigo mesma, de me ouvir e de aceitar as minhas próprias críticas. Tenho amigos e prezo-os muito! Alguns com uma paciência interminável, outros nem por isso, alguns mais recentes que outros, mas todos incomparáveis! Agora sim, posso dizer que tenho AMIGOS... Não desejo a ninguém que passe pelo que eu passei, é doloroso e parece interminável, mas é um daqueles desafios que nos fazem crescer e, quem sabe, até mais felizes!!
:)
Desculpem-me, se calhar foi um bocado seca, mas há dias que precisava de escrever isto, chorar um pouco e sorrir no fim! :) Obrigado!
A cada dia que passa pelo nosso corpo sentimos o evoluir, muito lento, das Eras. Esse comprimento temporal reflecte-se, também lentamente, nas nossas vidas. O futuro é uma incerteza pois são inúmeros os possíveis acontecimentos. Se antes pensei que o meu futuro seria toldado de negro e ódio agora vejo-o mais brilhante. Tudo depende de nós, do nosso estado de espírito. Com o tempo vim a aperceber-me da minha ultra-necessidade de viver com objectivos bem definidos na minha vida. Visando estes posso, clara e concisamente, afirmar que se vive melhor. É a lutar pelos nossos desejos e vontades, munidos da espada forjada com aço esperançoso, que se deve viver. Pelo menos melhor. Pelo menos eu. Disseram-me algo hoje na minha escola... Na altura e no dia passou mais que despercebido(alías nem liguei ao dito...). Ainda à pouco dediquei uns minutos(que eventualmente se tornaram horas) a pensar na dita frase.
"Namorada, banda, amigos... Que mais queres tu? Tens a vida feita pá!"
Sem dúvida tenho, pelo menos, duas das coisas que mais preciso na minha vida. Boas amizades e Amor. Até a nível musical me sinto realizado... Mas não era aí que eu queria chegar. Não tenho a vida feita! Longe disso... Estou munido de ambições(sendo algumas bem utópicas...), objectivos e desejos. Sonhos, se quisermos resumir isto a uma palavra. Ando feliz e contente, verdade seja dita, mas ainda falta muita estrada para atingir a minha meta. Quero ser independente, ter filhos, tentar fazer a diferença na sociedade lutando pelos meus ideais, quero contribuir para causas que eu julgar credíveis. Quero ter um curso superior. Quero poder ter estabilidade económica para, sossegadamente, educar a minha descendência. Quero dar-lhes um mundo melhor. Quero... Muita coisa. Será desprezo para o que tenho? Não... Julgo que os que me rodeiam sabem o quanto os estimo. Nunca os julgarei como certos e tentarei sempre aproveitar cada momento com eles. Sinto-me mais completo com o meu anjo. Ela sabe disso. Mas, efectivamente, não estou "com a vida feita". Falta muito suor para tal.
Que será de mim no futuro? Certezas ninguém as tem! Por agora, nestes últimos tempos, ando radiante e feliz! Quero continuar assim mas sem desdenhar aquilo que eu quero da minha vida. Tudo é possível com esforço não é?
Sempre vosso,
Putrefacção. Penso que seja esta a palavra que melhor caracteriza o mundo em que vivo. Está morto, decadente e sem rumo. É, na sua(quase) totalidade, uma demência viver numa sociedade tão martirizada(sim, todos nós somos mártires da nossa própria obra...) e ridícula como esta. Máscaras. É o que impera. Não existimos verdadeiramente neste mundo. Adoptamos(ou assimilamos) virtudes e/ou defeitos para nos integrar. Será isto a vivência em sociedade ou a causa principal para o respectivo declínio desta? Eu uso máscaras. Algumas tão espessas que nem eu próprio me reconheço. São muito raras, embora existam, as excepções em que eu não uso máscara. Só mesmo com um número pequeno e muito restricto de pessoas. De resto? Nada. Sou uma tela pintada de falsidade e forjo constantemente uma personalidade, digamos alter-ego, totalmente diferente daquilo que eu sou. Será isto mau? Ou simplesmente faço isto para me fechar num mundo, numa realidade que, muito sinceramente, não me diz nada? Atrevo-me a desafiar as leis da lógica(estipuladas,muito ironicamente, pela nossa sociedade) e dizer, abertamente, que não o faço(usar a máscara) com o propósito de uma integração. Faço-o, segundo o meu próprio ponto de vista, para afastar aqueles clichés tão irritantes e fúteis do meu dia-a-dia. Não me quero integrar nos que me rodeiam constantemente. É uma necessidade geral que, em mim, se tornou numa (grave?) lacuna. E cada dia que passa, cada minuto que o meu corpo e alma sentem, se torna putrefacto. É irritante ver isto. Mais ainda é o sentimento de impotência perante esta realidade. Não posso/consigo fazer nada para mudar as mentalidades. É um esforço que, por mais empenho que se lhe ponha, requere algo muito mais dispendioso. Refiro-me claro ao tempo. Tempo e gerações... Engraçado eu distinguir isto pois, em certos contextos e principalmente neste, estão ligados umbilicalmente. Que se fazer então? Que nos mudemos a nós próprios antes que aos outros.
Mas nem tudo é negro. Há, efectivamente, coisas pelas quais nós devemos viver. A prova física disto é o facto de eu viver. Se nada me aliciasse ou me fizesse empenhar no mundo em que vivo, de que me valeria viver?
Sempre vosso,
Que se faça então uma espécie de prefácio à "obra" que irá decorrer nos próximos tempos. Que melhor maneira de exteriorizar os meus pensamentos e ideais pode haver que senão sob a forma de um Manifesto. Um manifesto escrito, não com os intuitos, por exemplo, de Karl Marx, mas sim de demonstrar a minha visão da sociedade e as possíveis soluções para o melhor funcionamento desta. Há que atentar, primeiramente em alguns promenores, no conteúdo e no título do manifesto. Poderia chamar-lhe Libertação De Qualquer Coisa... Mas já existem quase todas as associações, com as suas respectivas escritas, munidas de um movimento e convicções extraordinários, de defesa de algo. Volto a frisar novamente que a opção de intular estas escritas(quem sabe, posteriormente, compiladas numa obra única) de Manifesto assenta no princípio que me vou limitar e restringir à minha insignificância enquanto produto de uma sociedade podre e putrefacta e apenas frisar os problemas que considero mais graves e as, minhas subentenda-se, soluções. Digamos que até poderemos encarar muitas das minhas observações como códigos de conduta com o objectivo de alterar qualquer coisa no mundo. O seu título, "Esperanza", é como um tributo ao sentimento que mais importante é para mim, é uma dedicatória ao blog em si, e um tributo a mim mesmo. Arrogâncias e falsas modéstias aparte, quero apenas reforçar a minha opinião de que a opção de ir publicando textos no blog, para além do próprio tributo a este, advém da minha necessidade de anonimato. Não quero, nem ideias tenho, de formar qualquer tipo de movimento(uma possibilidade a ser revista daqui a alguns anos...), apenas de expôr o que eu sinto e vejo na sociedade que me rodeia.
Agradeço então aos leitores e espero que não importem com os textos que se seguiram no blog. Para uma melhor separação de conteúdos o título das entradas será sempre o título desta, seguida do número da entrada, relativamente às relacionadas com o mesmo assunto.
Sempre vosso,
Uma sociedade é um colectivo de pessoas, isto claro, se quisermos obter uma significância muito resumida. Sendo assim para mudarmos uma mentalidade colectiva precisa-se de mudar a mentalidade e crenças de cada indivíduo. O que nos leva então a uma simples, mas muito importante, conclusão:
A revolução começa em cada um de nós.
Se nós temos críticas a fazer ao que nos rodeia, se estamos em desacordo com normas do sistema devemos mostrar isso no nosso quotidiano. Os nossos valores, regras e acções deverão ser sempre contra aquilo que nós não gostamos. Uma espécie de cliché do tipo "Não faças aos outros aquilo que não gostas que te façam."
Continua...
Hoje após uma deliberação muito ponderada numa viagem mental, vulgo filosofanços, fiquei com uma súbita vontade de mudar o mundo. De fazer qualquer coisa minimamente utíl que tivesse, no futuro, consequências positivas. Mas, como uma agulha a trespassar-me as costas, penso como é que será possível fazer tal feito? Como equiparar-me aos feitos de Ghandi? Como escrever manifestos como Peter Singer(autor da "Libertação Animal")? Ou, melhor ainda, como persuadir/convencer/incutir as pessoas do meu ideal? Da minha causa, qualquer que esta seja?
Encontro na nossa sociedade tantos erros, falhas e lacunas que não sei por onde começar! Queria alterar tanta coisa, contribuir para a sua melhoria, fazer com que algo, realmente, mudasse! Não para que o meu nome ficasse registado na história(como uma pessoa uma vez me disse...) mas sim para que algo mudasse(para melhor subentenda-se). Não acredito nas incursões políticas... Acabaria por me tornar num político de meia-tigela que, lentamente, será corroído pelo sistema.
E amo tanta coisa e detesto tantas mais... Que agonia é sequer pensar no que fazer? Acabar, por exemplo, com as explorações animais? Como fazer isso numa sociedade corrompida pelo punho pesado do Capitalismo? Arranjar uma organização repleta de membros e fazer como o Ghandi? Fazer com que milhares de pessoas marchem para dentro de uma sede sem o uso da violência, sujeitando-as a um tratamento penoso? As grandes acções de revolta, mesmo que pacífica, têm sempre o seu preço judicial!
Tantas coisas por fazer... Ideias a aparecerem... É preciso é existir vontade! Se cada um de nós mudar minimamente o mundo, os que nos seguirão viveram melhor!