O mundo de trabalho é um mundo cão onde todos se queimam uns aos outros para subirem, de alguma forma, na consideração dos seus superiores. Trabalhar, enquanto primeira experiência, é sofucante e muito pouco saudável; já sinto as saudades imensas da escola e começo, lentamente, a concordar com os mais vividos que sempre me disseram que a escola é a melhor fase da nossa vida. Desta perspectiva, no meu tempo-livre aproveito e estudo as matérias que preciso para entrar na faculdade. Agora, sofro as consequências do passivismo escolar, reflectidas na minha média, e provavelmente terei que frequentar uma escola do ensino privado.
O ensino privado é caro, mas sempre defendi que só anda nele quem pode e/ou não conseguiu entrar no estatal. É lixado compreender que serei mais um a tentar melhorar os alicerces da minha educação à custa do poder económico. Com a minha mãe doente, mesmo muito doente, a minha mente não tem estado nas melhores condições de estudo e, infelizmente, a pressão começa a surtir efeitos. Não paro de pensar no quanto egoísta sou ao querer que os meus pais me paguem um curso quando sei, perfeitamente, que os tratamentos no IPO acabam por ser valentes e, ainda para mais, visto que são demorados. Desta forma, vejo-me a conjurar hipóteses de part-time para conseguir pagar os meus próprios estudos.
Atendendo ao facto de a propina mensal ser de 400€, 78 contos para ser mais exacto, mesmo arranjando um part-time, não conseguirei pagar a sua totalidade. Isto porque o ordenado mínimo, para quem trabalha em full-time, não chega quanto mais um part-time. Hipóteses? Nem sei se as tenho.
Se ao menos fosse uma pessoa cheia de fé, fazia as minhas rezas e depositava as minhas esperanças num Deus maior. Mas não, Deus não existe, Cristo era adúltero e os apóstolos uns bêbados. Meu amigo, meu querido amigo, invejo-te das profundezas do meu ser por, com calma, te reconfortares com o teu Deus, mesmo que seja diferente dos outros.
Gostava de conhecer um Deus, um qualquer, e perguntar-lhe o porquê de ser a minha mãe, o porquê de não haver mais igualdade e, já agora, se os ansiolíticos da zona dele são mais baratos. Vivo numa contradição: não quero recorrer a medicamentos para conseguir "superar" esta minha fase, se bem que são familiares próximos que me sugerem isto, porque não quero ficar zombie. Mas também não lhes posso explicar o efeito calmante, relaxante, lúdico e criativo dos charros. Sim, acho que fumo charros, há muitos anos por estas razões que, em última análise, se reflectem numa palavra: lazer.
Estou a escrever com o meu coração na gargantae a minha alma num poço, a escrever porque, onde estou, não posso chorar nem gritar nem descarregar a minha fúria. Já dizia a gótica, quem chora é despedido.
E, por falar nisso, é melhor voltar ao trabalho...
Publicado por Downthesun em junho 7, 2005 11:56 AM