dezembro 01, 2004

Vida E Morte

Eu não gosto do actual sistema de ensino. Aqueles que me conhecem, principalmente a Lady Sianna, já estão familiarizados com o meu ódio pessoal às metodologias, em geral, de ensino. É tudo uma pseudo-pedagogia que contribui, cada vez mais, para o marranço quando a compreensão é o cerne de todo o conhecimento. Enfim...

Milagrosamente, este ano li uma obra que gostei muito. A Aparição, de Vergílio Ferreira, é um livro mórbido, metafórico e filosófico. Juntando estes ingredientes a uma boa história, temos um livro que eu gostei. E muito. Não me vou pôr aqui a divagar sobre a obra; acho que é um livro essencial para gosta do género. Ao saborear as páginas do livro, deparei-me com uma frase que, desde então, se tornou numa das minhas passagens preferidas.

“Portanto, eu tinha um problema: justificar a vida perante a inverosimilhança da morte.”

Na altura, dei por mim a pensar. Cada dia que passa pelo nosso corpo, cada momento que nós vivemos, é um passo irreversível para a nossa morte. Existem duas certezas na nossa existência. A nossa vida e a nossa morte. Assim, a nossa vida é um todo que deve ser aproveitado ao máximo. As nossas - pequenas - liberdades têm que ser saboreadas, os nossos gostos aprofundados. As pessoas que nos rodeiam são apenas um passaporte para o nosso próprio conhecimento.

Concluo, assim, que devemos aproveitar a vida. Ela traz-nos dissabores; porém, às vezes recebemos prendas dela. É uma questão de sabermos co-existir com isto.

Publicado por Downthesun em dezembro 1, 2004 11:43 PM
Comentários

Curiosamente tambem estou a dar isso na escola... e estou a gostar... levanta muitas questões que tambem eu penso, e talvez todos nos deveremos pensar... "o que fazemos aqui" é a questão da nossa existencia.

Afixado por: blackhearted em dezembro 3, 2004 09:45 PM

Eu concordo plenamente com o Downthesun quando ele se insurge contra o sistema de ensino actual que só "contribui para o marranço quando a compreensão é o cerne de todo o conhecimento...". Infelizmente, o mesmo sistema de ensino que eu, e os outros estudantes, combatemos nos anos 80, prevelece ainda hoje, intacto e inválido, em 2004. Na altura, quando atingimos o 12º ano, ninguêm teve a coragem de nos informar das nossas componentes vocacionais, e assim muitos de nós, passamos certamente ao lado de uma grande carreira, porque naquele período estamos meio embaraçados sem saber por onde ir e fazer o que seja.

Afixado por: Humberto em dezembro 19, 2004 06:20 PM

Logo, cabe agora a voçês, a nova geração, provarem que não são rascas, e enfrentarem o sistema e vençê-lo, onde nós falhamos. A luta pelo o nosso bem-estar e dos outros, é um sentido de vida que para mim devemos sempre abraçar. Acrescentando ao que o Downthesun diz, há que combater os dissabores da vida para que possamos ser contemplados com as suas prendas.

Afixado por: Humberto em dezembro 19, 2004 06:27 PM