Com o intuito de dar um continuidade ao post anterior escrito pela Lady Sianna, queria abordar a temática do aborto de uma outra forma. A análise do tema por um homem.
Antes de mais, é de realçar que o Homem é sempre um espectador quando se fala do aborto. Digo isto porque o campo de batalha, a luta, é toda feita em redor da mulher. Não quero frisar o aspecto legal envolvente mas sim, parafraseando a Lady Sianna, o dilema moral das pessoas. Abortar é uma decisão. É ponderada em alguns casos - quando o parceiro não foge - pelo casal ou só pela mulher. Já falei sobre isto com algumas amigas e, quase todas, defendem que sentem em si uma vida. Apoiando, mais uma vez, a Lady Sianna, a despenalização do aborto contribui para a saúde; os abortos são uma realidade com a atenuante de que, infelizmente, neste país as mulheres sofrem horrores. Despenalizar seria, apenas, melhorar as condições médicas e sociais que envolvem o aborto.
Agora, como homem, qual a minha visão do aborto? Acho que, como dito em cima, é uma decisão. Que cabe ao casal. Se a minha parceira engravidasse explicar-lhe-ia a minha opinião. Sou contra pois tenho condições para ter a criança.
Publicado por Downthesun em setembro 13, 2004 12:46 PMpelo que tenho lido no blog vocês são ambos muito jovens tal como eu. eu não tenho as vossas condições mas teria todo o apoio da minha mãe, o que por si só é uma grande ajuda.
ainda assim existem muitas pessoas que 1) não têm condições; 2) não têm qualquer apoio.
para além disso muitos homens recusam-se a dar qualquer apoio às companheiras/namoradas/esposas e isso contribui em muito para o número tão grande de abortos em portugal.
Downthesun: também visto "deste lado", se assim posso dizer. (bem, e vou passar por "fundamentalista", o que é terrível). É evidente que é uma decisão. A questão é saber se é uma decisão sobre o(s) próprio(s) ou uma decisão sobre um outro. Se for um "outro", as "condições" são irrelevantes. A questão é saber o que é que para nós é - se é que posso usar a palavra fora de um contexto "religioso" - "sagrado". É a "vida"? Se é, quem tem razão são os vegan. É a "inteligência"? Bom, vamos para os "direitos" do tipo em coma (ver o fabuloso "Fala com ela" do Almodovar). Aos defensores dos direitos dos animais não passa nunca pela cabeça deixar de exigir uma protecção "legal". No aborto a lei é o terrível "Estado". Nos touros de morte é o quê? A Sophia dizia qualquer coisa como "as pessoas sensíveis que não matam galinhas, mas comem galinhas". E de facto, se eu matar uma galinha nada me acontece. Agora, devo ensinar às crianças da escola o amor pelas galinhas, diante de uma perna de frango asssado? Devo proibir a morte das galinhas para que elas a comecem a ver como uma "coisa má"? isto que estou a dizrer pode parecer ironia, mas não é. Para nós, que não acreditamos já na "alma", que diferença há entre o meu filho e o meu gatinho? (Fairy, gostei muito do que disseste)
Afixado por: Goldmundo em setembro 24, 2004 04:30 AM