Odeio o términus do ano lectivo. Todo aquele tempo todo dando as matérias, e trabalhos, com vagar, culmina no excesso de esforço nesta recta final. Por isso, quer eu, quer a Lady Sianna, temos descurado o Hopetears. As nossas mentes não se encontram muito funcionais e escassos intervalos aproveitamo-los com outras coisas que gostamos. Mas já andava sentir-me mal por não postar nada aqui. Porque eu queria, mas a inspiração é uma lacuna nos dias que correm.
Ora, o que é que me levou a postar aqui hoje? Eu, como já disse num post anterior, fui à feira do livro e, lá, comprei O Anticristo de Frederich Nietzsche. Comecei a ler algumas páginas hoje e dei por mim a babar-me na escrita desse filósofo cujo fim se deu com um colapso mental. Esta obra, escrita um antes do seu colapso mental, é, do que li até agora, genial. Genialmente bem escrita e muito filosófica...
Eu, pessoalmente, não me considero um niilista. Grande parte das posições de Nietzsche são, para mim, um pouco ou quanto extremistas de mais; mas, no entanto. algumas das suas afirmações fazem muito sentido...
O resto é apenas a humanidade. Há que ser superior à humanidade pela energia, pela elevação da alma... pelo desprezo...
Estas são as duas últimas frases do prefácio escrito por Nietzsche n'O Anticristo. Vi-me nestas frases. A minha posição crítica da sociedade poderá resumir-se nesta frase. Defendo, aguerridamente, a elevação da alma, do nosso espírito - através do conhecimento - para a nossa evolução. Defendo também o desprezo, o nojo - talvez até ódio - pela raça humana. Já dizia o Mr.Smith, no Matrix, que somos parasitas deste planeta. Sugamo-lo, sugamo-nos até à exaustão. E vivemos em contínuos ciclos destructivos.
Umas páginas à frente encontrei três questões que, acho eu, todos colocamos a certa altura da nossa vida:
-O que é o mal?
-O que é o bom?
-O que é a felicidade?
Nietzsche, aqui, oferece as suas respostas, dentro do seu ponto de vista. Não concordei com nenhuma, não por ter uma posição pré-concebida, mas sim por não ter uma posição coerente comigo mesmo. Talvez por isso sejam conhecidas como perguntas filosóficas...
E perguntei-me, após ler estas 3 perguntas, o que é a felicidade? Acho que cada um de nós tem uma resposta a essa pergunta. Acho que as respostas existentes são muito diferentes umas das outras.... Para mim, o que é felicidade? Ainda não tenho a certeza. Não consigo compreender na totalidade o sentido da própria palavra... Será apenas uma palavra para descrever um momento ou uma sucessão, contínua, de momentos?
Por agora é tudo. Tenho que me voltar a concentrar nos meus trabalhos e estudos. A correria de trabalhos, projectos, testes, etc só acaba, para mim, na segunda quinzena do mês de Julho. Até lá o blog deve permanecer um pouco parado... Mas enfim, por vezes faz-se um esforço para escrever qualquer coisa... Faz sempre bem à alma.
Talvez não seja inutil recordar o que Aristoteles disse da felicidade, pois é uma ideia esquecida: não, a felicidade não é um momento. Um dia, quando olhares para a tua vida suficientemente de longe - suficientemente do alto, diria Nietzsche - saberás se foste feliz. O resto são gelados às cores. O resto é a Beleza Americana.
Afixado por: Goldmundo em junho 30, 2004 02:59 AMAs duas últimas frases não são do Aristóteles :)
Afixado por: Goldmundo em junho 30, 2004 03:00 AMBem, antes de mais, queria pedir desculpa por este atraso gigantesco na resposta aos comentários...
Goldmundo, calculei que as últimas frases fossem tuas... Soam a ti. E conheço a tua escrita desde os comentários no blog da gótika :P Quanto à felicidade propriamente dita... Como disse no post, não sei se é, ou não, um fruto de um momento. Talvez seja... Talvez seja o culminar de uma vida? Não sabemos. A vida irá dar-nos essa resposta... Com a lenta erosão dos anos.
Afixado por: downthesun em julho 5, 2004 04:22 PMFilosofando ou não continuo convencida de que devemos sempre procurar a perfeição!Sim e o trilho é o aperfeiçoamento pessoal, o elevar do espírito!!!
Afixado por: melancia em julho 6, 2004 12:19 PMEu acho que a felicidade é um bocado como o sentido da vida: o resultado não está no que se procura, mas na procura em si. O próprio conceito é demasiado abstracto para encaixar numa qualquer definição.
Afixado por: gato preto em julho 6, 2004 09:41 PMA felicidade é sobretudo um conceito próprio, tal como o amor. Cada um a vive e experiencia à sua maneira.
Ser obcecado por ela também não deve ajudar muito.. E muitas pessoas são. Assim que se convencem acerca de um conceito de felicidade procuram desesperadamente concluir que não são felizes. Ninguém quer ser totalmente feliz senão perde-se o sentido da vida.. perde-se motivação.
Para mim a elevação do espiríto dá-se por algumas formas previligiadas: espiritualidade, conhecimento e arte. Qual delas a melhor? Não sei..
Ah..e outra muito importante honestidade. Honestidade quanto aos nossos sentimentos e os dos outros.
Mas isto é o que eu acho. Não é nenhuma verdade universal.
Obrigado a todos pelos comentários. A felicidade, como o gato preto disse, é um conceito demasiado abstracto para obter uma significância "geral". No entanto, acredito que em cada um de nós se possa formar uma justificação ou significado desse sentimento(?)...
Afixado por: downthesun em julho 7, 2004 05:59 PMA felicidade,para mim,é um conceito, como já foi dito, demasiado subjetivo para ser restrito à uma definição pronta e acabada. Mas hoje, excepcionalmente, essa busca pela felicidade está sendo maqueada pela busca de se aliviar o sofrimento. Não se busca estritamente a felicidade, mas se busca uma forma de se privar do sofrimento (e, claro, consequentemente, alcançar a felicidade) Mas será que, privar-se do sofrimento, não é se acovardar diante de situações que proporcionariam felicidade?! Então eu acabo por cair em uma definição do livro o Profeta de Khalil Gibran; no qual ele diz que a alegria e a tristeza vêm sempre juntas "e enquanto uma está sentada à vossa mesa, lembrai-vos de que a outra dorme em vossa cama."
Pensei nisso principalmente por ter assistido hoje, ao filme "A Vila". Ver a reclusão das pessoas na vila Convington me fez pensar nisso; a tentativa de se alcançar a felicidade, fugindo-se do sofrimento. Bem, mas isso é outra história........
A felicidade,para mim,é um conceito, como já foi dito, demasiado subjetivo para ser restrito à uma definição pronta e acabada. Mas hoje, excepcionalmente, essa busca pela felicidade está sendo maqueada pela busca de se aliviar o sofrimento. Não se busca estritamente a felicidade, mas se busca uma forma de se privar do sofrimento (e, claro, consequentemente, alcançar a felicidade) Mas será que, privar-se do sofrimento, não é se acovardar diante de situações que proporcionariam felicidade?! Então eu acabo por cair em uma definição do livro o Profeta de Khalil Gibran; no qual ele diz que a alegria e a tristeza vêm sempre juntas "e enquanto uma está sentada à vossa mesa, lembrai-vos de que a outra dorme em vossa cama."
Pensei nisso principalmente por ter assistido hoje, ao filme "A Vila". Ver a reclusão das pessoas na vila Convington me fez pensar nisso; a tentativa de se alcançar a felicidade, fugindo-se do sofrimento. Bem, mas isso é outra história........