Existe nos nossos tempos uma máquina única. Um autómato surpreendente, ambíguo e diversificado dos restantes seres humanos. Falo, pois, do indivíduo. A Lya Amy, num comentário ao post Crueza, chamou-me de antropocêntrico. Sou, sem dúvida. Na inteligência, na dedução e na mentalidade humana reside o futuro de todos nós. Conquistamos o planeta com a nossa artimanha, a nossa necessidade; e prevalecemos. Agora somos os senhores do mundo, controlamos tudo: habitats, recursos naturais, atmosfera. Tudo depende de nós. Mas, como tem vindo a ser provado com o tempo, a massificação, a acção em grupo e as mentalidades de colectivo destroíem a racionalização lógica e congruente do ser humano. Em vez disto passamos a ter o instinto ao de cima. Se na solidão somos magníficos, porquê, passe o termo, rebaixarmo-nos?
O futebol é, nos dias que correm, um evento que move massas. Move, de tal maneira, controlando inclusivamente o humor/estado de espírito. Lembram-se do Fehér? Esse jogador do Benfica, tão humano como eu, que morreu em directo perante milhares de olhos? Houve luto nacional. Mas, e as pessoas que assim morrem todos os dias, num anonímato eterno? Essas o povo não chora. Mas pior ainda é como uma equipa de futebol, uma SAD, ao ganhar um campeonato consegue criar euforia a pessoas que nada têm a haver, ou ganhar, com essa conquista? Como é que é possível a fomentação de ódios por causa destes eventos? A resposta é simples: o colectivo gosta, o indíviduo, na qualidade de ser social, adere.
No individualismo jaz a resposta, o futuro e a compreensão do passado. Atente-se no exemplo acima citado; um desporto consegue detorpar posições e éticas individuais. Ao sermos nós, com a nossa experiência, enriquecemos o mundo porque, com contacto social, enriquecemos outros. É um ciclo em cadeia. Os escritores não gostam de escrever o que lhes vai na alma? E não recebem comentários sobre isso? E isto aplica-se a quase todas as formas de arte. E, dentro deste contexto, a arte é uma forma de individualismo. Acredito, quase que cegamente, que dentro de cada um de nós, tirando máscaras, ignorãncia e arrogância, existe uma fonte de beleza. Uma humanidade; arte. Seremos nós capaz de recusar as acções em colectivo e cingirmo-nos a nós mesmos? Isto, claro, tendo em conta que nós somos as pessoas que nos rodeiam...
O futebol apenas fornece a máscara necessária para se soltarem facetas menos boas.
Afixado por: fairy_morgaine em junho 15, 2004 01:12 AMFairy, só com este comentário é que me apercebi que tinhas voltado! Bem-vinda, tinha saudades das tuas palavras.
O futebol fornece essa máscara; e não só. O futebol age como desculpa "toda-a-gente-gosta" e justificam as suas acções como "calores-de-massa". No fundo, o que eu quero frisar, é tudo uma questão de aderir à maioria. Assim, os nossos comportamentos podem ser violentamente alterados para a nossa inserção no colectivo-alvo. Assim, funcionando como catalizador, a euforia de multidões pode levar um Homem a acções não comuns nele.
Afixado por: downthesun em junho 15, 2004 01:55 AMSim concordo contigo. Mas deveremos desculpar esse Homem que é suposto ser racional? Se serve como catalizador é porque algo já estava bastante mal... e isso diz alguma coisa.
A multidão agudiza os sentimentos já existentes. E isto sim é assustador. Em toda a parte existem pessoas doentes prestes a ter comportamentos desfasados assim que tenham a mínima oportunidade.
Por isso é que eu nunca temi os malucos do manicómio. Mas temo os que caminham entre nós, escondidos nas nossas sombras.
Individualismo? Mas o que é o individualismo?
Sorrio entrando no ritmo dos que lutam pelo que não conseguem, choro boicotando algo com que sempre sonhei. Será o individualismo, um acto individual ou não existe individualismo sem colectivo?
Desespero, morrendo infeliz...mas suspiro por um dia mais alto!
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...deixemmmmmm-meeeeee viver feliz!
Estou plenamente de acordo contigo, não só em relação ao teu ponto de vista sobre o individualismo mas também ao que dizes àcerca do futebol. Não vamos aderir a ideias e teses de outros. Temos que ter a nossa própria tese e as nossas próprias ideias para desta forma enriquecermos as pessoas que nos rodeiam e nos enriquecermos também a nós. Não gosto de ver massas a moverem-se. Ao fim e ao acabo não mostram o que realmente são, apenas aparentam em colectivo uma ideia, um projecto, ou crença ou outra coisa qualquer... Bjs***
Afixado por: †Profetiza†Morta† em junho 22, 2004 06:29 PM