Eu sempre gostei do que era grotesco. Acho que, no fundo, sempre amei o hediondo; gosto de violência, gosto de força e potência humanas. Gosto de algo, criado pelo ser humano, que seja cru. Tudo começou com a música. Em 1994 ouvi, pela primeira vez, o meu primo a tocar a Enter Sandman na guitarra acústica dele. Foi amor à primeira vista: pedi-lhe que me emprestasse um albúm deles. E, assim, chegou às minhas mãos o meu albúm preferido de todos os tempos. Ride The Lightning.
A raiva, sentimento e violência patente nas músicas e letras deste albúm dos Metallica encantou-me por completo. Precocemente tornei-me num headbanguer. E seguiram-se anos de fanatismo quase louco por Metallica onde ouvi tudo o que havia para ouvir deles. E à medida que mais ouvi, mas queria. Parti para outras bandas de metal pesado. Sepultura e Slayer são apenas exemplos... Mas por 1996 que andei todo possuído por Metallica e nasceu, aqui, o sonho de os ver ao vivo. Eles passaram por cá em 1999 mas fui impedido pelos meus pais a ir pois, segundo eles, era muito novo.
Dia 4 de Junho, 2004. Passado 10 anos de ouvir a banda da minha vida vi-os, finalmente. A Lady Sianna perguntou-me qual era a sensação de se ver a banda dos nossos sonhos. Eu respondi que era maravilhosa. E é. Acho que, como lhe disse ontem, não consigo arranjar palavras para descrever o melhor concerto da minha vida. Amei. Eu fui, vi e sorri.
Voltamos à crueza. Era tão cru o som dos metallica. Ainda o é. É violento, rápido e muito agressivo. E isso reflectiu-se no público que, ao longo do dia, com as várias bandas, foram fazendo crescer vários Mosh Pit's. Por gostar de tal violência talvez, talvez, seja por isso que tanto gostei d'A Casa Na Escuridão do José Luís Peixoto. Talvez, talvez, seja por isso que tenho uma banda de Death-Metal... talvez.
Eu não sou violento por natureza, não sou louco nem sádico. Apenas quando me picam. O adjectivo é, então, abelha...
A crueza é o que nos vem da alma e do instinto. A violência é naturalmente humana e, por isso, bela.
Publicado por Downthesun em junho 6, 2004 12:49 PMÉ óptimo sorrirmos pelos nossos sonhos e é ainda melhor sabermos porque são esses e não outros.
Esse teu gosto pelo cru, revela não violência, mas gosto pela origem e sentido humano, mto transformado nos verdadeiros dias de hoje.
Por mais que possamos discordar a crueza vem de dentro de nós, como referiste, e resta-nos apenas aproveitá-la a ela e ao que nos pode trazer de bom e através disso garantir um melhor futuro para esta decadente sociedade.
acreditas num futuro para a sociedade? está provado, historicamente, que as grandes civilizações acabam por cair e nascer mais ignorantes. depois evoluem e caiem outra vez. E assim sucessivamente. É a nossa natureza. Nós, humanos, não temos futuro. Temos apenas que tentar viver e alertar. Alertar para as problemáticas e tentar corrigir erros do sistema para vivermos um pouco melhor. mas é apenas a minha opinião.
Afixado por: downthesun em junho 6, 2004 06:00 PMAlgum futuro tem de haver...mesmo a morte e queda de uma civilização é um futuro não é?
Um futuro possivel... cabe-nos agora é a nós, como tu dizes e muito bem, tentar corrigir erros e viver um pouco melhor e assim estaremos a alterar algo não achas?
Nada está perdido :) mesmo o pior é um futuro e acabaremos por ver onde estamos metidos, resta saber se não será tarde de mais...
O diálogo mais estranho que vi hoje :) nós somos o futuro de tanta gente que passou.
Afixado por: Goldmundo em junho 7, 2004 04:11 AMUm futuro existe sempre. É uma certeza. Mas nós, humanos, mesmo sabendo o que nos espera continuamos. E fazer algo para mudar isso? Não. Nunca fazemos. Existem partículas na humanidade, excepções, que lutam. O resto, já diz o povo, é só gargante. Nós somos o futuro de muitas vidas Goldmundo. E, igualmente, seremos o passado de muitas outras que ainda virão.
Afixado por: downthesun em junho 8, 2004 05:06 PMMas todas essas particulas são extremamente importantes, pessoas como eu, tu e outros que se preocupam pelo bem estar do nosso mundo têm que continuar a trabalhar para um futuro melhor, de contrário acho que nem seremos o passado, porque da maneira que o mundo anda, tudo isto pode acabar a qualquer momento.
Um abraço Downthesun :)
P.S. E temos que aprender a usar também a garganta do povo para o bem estar futuro da natureza... temos que formá-los e educá-los :)
Afixado por: Sonhador em junho 9, 2004 01:38 PMSe o futuro somos nós que o fazemos, e se também somos passado desse futuro, que fazemos agora aqui no presente?
não damos conta disso, apenas damos importância ao que foi feito e ao que irá surgir.
Fico feliz por teres realizado o teu sonho de ver a tua banda preferida, depois de muitos anos à espera. Fico feliz por uma pessoa que nem conheço... é engraçado, o poder que as palavras exercem sobre nós.
Não só para ti, mas para mim também, para mim este concerto de Metallica (precedido por Slipknot) foi algo de lendário, atinguiu tal perfeição que duvido vir a assistir a um melhor. Sigo Metallica, lealmente, desde os meus 10 anos, banda imortal e sem igual e torna-se, para mim, um grande prazer ler um post como este.
A violência é bela, mas o ódio é arte...
Espero a continuação do blog que tem sido
Fog
Sonhador: Uma pessoa não faz diferença. Mas marca a diferença. Abraços [ ] :)
Vanda: No presente consolidamos o passado e preparamos o futuro; é um ciclo vicioso. Damos importância ao que fizemos e agimos para o futuro.
Fog: Sem dúvida, a violência é bela mas o ódio é arte.
Afixado por: downthesun em junho 10, 2004 07:36 PMGostei sobretudo da maneira como te referes ao que é humano e belo... és um antropocêntrico...
Sim senhor....
Parabéns