Os anos passaram e, com eles, trouxeram um novo aroma a uma vida. Um sabor que é tão habitual, tão comum, tão delicioso. Falo, claro, da dor. A textura quase palpável de um sentimento, as lágrimas quentes que dela, por vezes, derramamos; gotas num oceano que se vai construindo tal e qual como um livro. Primeiramente temos o seu início, com o passar dos dias vamos conhecendo o seu desenvolvimento. O fim, de tudo, do livro, de nós, encerra mais uma narração, entre milhares. É um fardo que a Humanidade carrega desde que nos afirmamos como racionais. Seremos mesmo racionais?
O termo racional, graças à raça humana, trouxe a discórdia na minha cabeça. Orgulhamo-nos da nossa inteligência, dedução, capacidade filosófica, argumentação, ciência. Mas, devido a estas qualidades(?), cometemos os piores erros. Seguimos, afincadamente, os nossos ideais. Ideais esses que não são bem nossos, são de outros seres que, por acaso, os escreveram para a posterioridade. Seguimo-los, sem olhar, sem pensar, e vivemos por ele. E contra a diferença - nascimento do preconceito. E, ainda mais, o mundo ocidental preza-se muito pela sua evolução tecnológica; Que, para além de muito bem feito em prol do Homem, causa Hiroshima, Nagasaki, Chernobyl, George W. Bush (só com muita ciência, muito complexa, é que se pode compreender o "xinhôr" dos States). Pensamos? Será que realmente pensamos?
Sofremos, sabemos que a dor é um estado incómodo. Sabemos, igualmente, que é melhor agirmos bem com o mundo que ele, mais tarde, nos sorrirá. Mas com a nossa existência cometemos pequenos(grandes) precalços. Caros "acidentes de percurso". Procuramos, quase que doentiamente, a salvação noutros sítios, noutras ideias, noutras pessoas. Mas a verdadeira salvação não reside num livro, numa pessoa ou numa ideia. Co-existe com nós próprios. Tentarmos agir connosco, com a nossa moral, com a nossa ideia, só nos leva ao nosso próprio bem estar. Tudo bem até aqui. É a ideia de muitos milhares de pessoas. Mas há algo mais importante a acrescentar. Respeitar sempre o próximo, o outro.
As I would die now... for one last wish...
Publicado por Downthesun em abril 4, 2004 04:55 PMconcordo com cada linha. e gosto muito da escrita. prende-nos.
bjo doce
Um elogio de alguém que escreve tão bem quanto tu, é sempre bom. Sem mais palavras, obrigado.
Afixado por: downthesun em abril 5, 2004 09:52 PMAs I would die now...for one last wish. , que grandiosa canção... que lyric poderosa... muito bem escolhida. Por aqui me fico ,
Afixado por: Anathema em abril 17, 2004 11:32 PM