Este texto foi redigido por mim numa aula, esta terça-feira... Só hoje é que acabei as correcções e o vou postar.
Foi num esboço, numa tentativa esforçada de um sorriso, que a vi. Ela. O seu sorriso que, de certa forma, nos encontraria, perdidos, no mundo. A perdição, o fim, não fariam sentido se, realmente, sorrises com sentimento, todos os dias. Sim, eu vi. No abismo da minha alma, no possível suícido mental, eu encontrei-a. Aliás, mais do que ela, foi o seu sorriso. Sim, esse seu pedaço de perfeição inagualável. Os tempos corriam, efémeros como tudo, e eu estava hipnótico, possuído. Nenhum exorcismo me faria esquecer aquele fenómeno sobrenatural que em mim habitava. Era ela. Ao acordar, naquele primeiro instante de cada dia, eu vi-a; depois, mais tarde, continuava com a sua face, o seu sorriso estampado na minha mente; horas depois, cansado da minha existência, apenas a sua imagem me salvava do desgaste mental. E, ao fim do dia, quando a noite já penetra bem fundo nas nossas casas, eu adormecia. E os meus sonhos, deixaram de ser sonhos. Eram, pura e simplesmente, ela. Ela, os sonhos. Os sonhos, ela. Existem alturas nas nossas vidas em que algo, ou alguém, constitui, subitlmente, uma parte de nós. Nessa altura, há um momento. Aquele momento de terror em que, por alguma razão, nos imaginamos sem essa coisa ou alguém. Desespero. Acho que, sem qualquer sombra de dúvida, o desespero nasceu desse sentimento. Não necessariamente da dor física, mas do possível imaginar de uma perda. É, de certa forma, como aqueles desvaneios que nós temos quando, no conforto de uma cama, nos imaginamos sem um membro. Mas, a dor de perder-mos algo que constitui a nossa existência, que não é corpo, é insuportável. Simplesmente agoniante.
Os dias passavam, continuavam na sua cíclica rotina, sem dar contas a ninguém. Eu, inocentemente, sonhava; estava a tornar-se obsessão. Resolvi então falar. Passar a minha mente para um papel que só no ar se escreve. Encontrei-te, com o teu sorriso, com a minha perdição. Falei-te; mas tu não me conhecias, nunca me conheceste. Nunca me tinha sequer viste e disse amo-te. A princípio, assustaste-te. Depois, ironicamente, riste-te. As tuas gargalhadas trespassavam-me como lâminas, pequenas agulhas a furarem o que eu sou. Sim, eras tu, a tua crueldade igénua. A dor... A raiva. Foram anos de sonhos que, num mero momento, se transformaram em nada mais que um pesadelo. O meu eterno pesadelo. Sinto o meu ódio; ódio em mim, no que eu sou, no que acredito. Eu, existir, não tem sentido...
Em chamas, ardido em dor, vi-me na escuridão. E, nessas trevas que durante horas a fio chorei, as minhas lágrimas, a minha dor, vi a minha saída. A corda, espessa e velha, magoada pelo tempo, reluzia num sítio sem luz. A corda, que reluzia, em redor do meu pescoço, sufocou-me a mágoa; A mágoa, a vida. Ambas sofucadas num, para sempre, mundo que nunca, ninguém, poderá entender. Suícidio?
Publicado por Downthesun em março 31, 2004 11:12 PMBem até agora não li muitos textos mas os que li são espectaculares, descobri-os á relativamente pouco tempo!!Suicidio por vezes não é a melhor solução!Temos que ser fortes, por vezes não é possivel ou pensamos que será impossível, mas temos que ser capaz!!(O meu comentário está confuso!)Beijokas E FORÇA
Afixado por: Tânia em abril 1, 2004 12:08 PMO suicídio, na minha opinião, só é viável quando, de facto, não temos por onde nos agarrar. Quando já nada sentimos, nada vivemos e quando ninguém nos sente viver. Aí, e somente aí, é que defendo o suicídio. Todas as outras hipóteses posso traduzi-las numa palavra: Covardia. Obrigado pelo comentário :)
Afixado por: downthesun em abril 1, 2004 08:25 PMParabens, ta de mais e identifico-me em muitas coisas que escreveste. Parabens[]
Afixado por: blackhearted em abril 1, 2004 08:31 PMAmigo/a, escreves muito bem, gosto do teun texto e tvz posamos um dia trocar umas impressoes masi detalhadas que aki por blog, em que as respostas sao sempre mais curtas...
Visita o meu satanlandia.blogs.sapo.pt e vê o meu artigo A teu pedido, Andreia,ok?
Até breve e continua!
blackhearted e vampiria, obrigado pelos calorosos comentários aos textos do blog. Continuem a aparecer por cá!
Afixado por: downthesun em abril 3, 2004 04:56 PMo texto é lindo.. lindo mm.. obrigada p me mostrares k afinal n estou só... ha kem sinta o mm k eu ...*
Afixado por: hamadryad em maio 17, 2004 11:08 PM