março 24, 2004

Filosofias

Eu tenho andado doente; febril e com fraquezas. Provavelmente sou apenas mais uma vítima de uma "virose" que anda por aí, ou então foi a minha habitual falta de cuidado ao agasalhar-me que me pôs neste estado. Mas estar doente não é mau de todo. Temos tempo para ler e reflectir. Quando estamos mesmo mal-dispostos a reflexão é capaz de ser a única coisa que nós, humanos, conseguimos fazer. E foi numa dessas reflexões enfermas que, ainda há umas horitas, me pus a lembrar de uma conversa com a co-autora do blog. Ela perguntou-me se eu ainda me lembrava da primeira intenção do blog; eu, nostalgicamente, recordei-me claramente dessa intenção: era colocar on-line os discursos e/ou conclusões filosóficas de ambos. Nessa altura, Setembro, andávamos a ter conversas muito profundas. Tocámos em assuntos que, por mim, estavam enterrados há muito, muito tempo. Mas eu rematei, nessa conversa, que a primeira intenção do blog ainda vive, é o que está patente nas escrituras quase que diárias que existem neste recanto on-line. Sem dúvida que são textos com as nossas dúvidas, afirmações, experiências. Mas a filosofia, em si, não é dúvida, afirmação e experiência? Nunca fui presunçoso ao ponto de me considerar filósofo. Sempre pensei e imaginei que filósofos fossem aqueles intelectuais que, de alguma maneira, provocaram alterações no pensamento da actual civilização. Falo claro de Sócrates, Platão, Nietzsche, Freud, Marx, Engels, etc. Mas, sem querer desdenhar os feitos dos mencionados, eles nada fizeram senão pensar. Livres de dogmas, livres de religiões ou teorias criacionistas, eles pensaram, à sua maneira, nas diferentes vertentes filosóficas. O que o homem? Qual é a origem do Universo? O que é a moral? Estas foram as primeiras perguntas. Os verdadeiros filósofos nunca admitiriam que souberam as respostas. Apenas poderiam formular teorias com a sua razão. Ou, como alguns Antigos, usariam os sentidos. Pensar levaria à procura do Saber. Pensar por nós próprios não nos dá saber, dá-nos a nossa verdade, a nossa compreensão.

A co-autora do blog, Lady Sianna, corrigiu uma pequena afirmação minha:

A Filosofia é o prazer da minoria

Há que, realmente, concordar. Eu só acerca de uns dias é que me afirmei como filósofo. Tal afirmação é consequente de uma divisão da raça humana, inteiramente criada por mim, logo sujeita a erro. Essa divisão consiste em 3 partes:

-Os que pensam: São aqueles que, de alguma forma, questionam o porquê da sua existência; Gostam de questionar valores, ideias e teorias, tentando sempre formular sempre as suas opiniões, as suas verdades. São aqueles que, como a Lady Sianna disse, têm um objectivo na vida, procuram a sua verdade.

-Os Humanos: Esta categoria é de muito fácil descrição. São aqueles comodistas existências que co-habitam o planeta connosco. São a maioria que, de nenhuma forma, pretende evoluir ou melhorar a sua condição na vida. Vivem com os ensinamentos impostos e não questionam.

-Os inaptos ou incapacitados: Longe de mim querer assemelhar-me a um Adolf Hitler ou qualquer outro puritano. Esta categoria engloba aqueles que não conseguem pensar, aqueles que sofrem de handycaps que os impossibilitam de pensar e racionalizar a sua existência.

Tal como já referi anteriormente, eu nunca fui presunçoso ao ponto de me considerar um filósofo. Mas, com esta minha nova linha de pensamento, tenho que ver que não sou Humano, nem inapto. Penso, questiono e tenho sede em saber. Nunca, em tempo algum, me ouvirão dizer que sei muito sobre muita coisa. Assim como Sócrates, admito, humildemente, que sei pouco ou quase nada. Sendo assim, sou um filósofo. Sou um dos que pensa.

A questão é agora lançada:

O que é que vocês são?

Serão os possuidores do prazer da minoria? Porque quem pensa é a minoria. A cada dia que passa as pessoas munem-se de uma estupidez atroz que, sinceramente, vai prejudicando o evoluir da raça humana. Ou são os humanos, convalescentes de momentos que, sem qualquer interesse, acomodam-se à sua existência sem nunca a questionar? Inaptos? Até que ponto amam as vossas convicções? Morreriam por elas como Sócrates? Estas questões são alguns dos meus tormentos no dia-a-dia. Mas há algo que, realmente, me anima. É o facto de eu, pelo menos, pensar nelas...

Publicado por Downthesun em março 24, 2004 03:29 AM
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