Era só mais um dia cinzento. Eu tentava estimular a minha imaginação através de um livro, procurava perder-me nas páginas delimitantes da vida de outros, de personagens com uma vida mais excitante que a minha.
Dei um passo largo (pretendendo sair do comboio) e, no mesmo momento, levantei os olhos e vi-te! O meu dia encheu-se do vermelho dos teus cabelos… pareceu-me então que o aglomerado de papéis que segurava gentilmente entre os meus dedos era infindavelmente aborrecido! Só poderias ser o ser mais perfeito à face da Terra.
Sentei-me perto de ti… desejei o teu olhar, o teu cheiro… Abri o livro mas roubaste-me toda a concentração! Olhei-te pelo canto do olho…
As tuas mãos encantaram-me! Os teus dedos, delgados e longos, eram de um branco puro, cristalino, dando uma sensação de suavidade de seda divinal! Os teus dedos, perfeitos, eram complementados com o contraste das tuas unhas rosadas (lembrando-me as de uma criança) sobre a tua saia negra.
Olhaste-me! Sobre a tua pele cor de morte apareciam duas pequenas rosetas de um rubro suave… O teu olhar cortante incomodou-me, enchi-me de coragem e olhei-te nos olhos… o seu castanho cor de mel com pinceladas verdes mostravam um olhar inteligente e astuto. Uma mecha do teu cabelo, de um vermelho surreal, brincava com a tua face, prendendo a minha atenção nos teus lábios sublimemente delineados por um vermelho vivo, dando ênfase a essas almofadas sobrenaturais! Que preciosidade… que blasfémia cometeria eu se desejasse um beijo desses lábios!
O teu olhar de indiferença provocou-me um arrepio na espinha, que só fomentou o feitiço que, tão celeradamente, fazias cair sobre mim
Calmamente fechaste o teu livro, levaste a mão ao ombro (que estava descoberto) com o intuito de te ajeitares. Reuniste os livros que trazia e levantaste-te! O teu serpentear era visível através da longa saia negra, o teu braço dançava, acompanhando o movimento do teu corpo, enquanto os teus dedos brincavam com o pequeno anel que te adornava o dedo anelar.
Devorei todos os teus gestos até à tua entrada no comboio e, no momento em que as portas se fecharam, tive a certeza de ter testemunhado a aparição de um anjo… de um anjo de negro!
Publicado por Lady Sianna em março 10, 2004 09:31 PMMto bom o seu blog...
:-)
Obrigado!
Afixado por: Lady Sianna em março 14, 2004 10:21 PM