Mais um dia, entre os dias, o meus dias. A rotina que se repete, dentro da eterna repetição, e me impele de sentir o novo, o desconhecido. O meu corpo é, totalmente, banhado por nós, humanos. E continuo sem ver, ou querer ver, e sentir, ou querer sentir. A nova Era chegou. A minha Era. Não a dos outros. Os outros, para mim, morrem lentamente a sua morte. A sua morte que é, para eles, os outros, a vida. Rio-me. Com as piadas, as histórias, o ódio e a paixão. E choro. Com a minha, só minha, sempre minha, mágoa. O meu desespero ao querer gritar para o mundo a sua própria estupidez. Mas aprecio e saboreio a minha concha. A minha casca. A minha máscara. Só eu, e os que são de mim, me conhecem. Só o meu sangue e os que, com o meu consentimentos e benção, dele bebem sabem quem Sou. Sem concha, sem casca, sem máscara.
Amo, venero e admiro a minha obra. A minha construção perfeita e, por vezes, quase que divinal. A minha criação. Sou o criador do meu mundo, da minha concha, da minha casca, da minha máscara. E nele me fecho, com a minha mente, comigo e com aqueles que, com o meu consentimento, bebem de mim. Rio, às vezes falo, por fora. Eles, os outros, todos eles, não conseguem ver-me. E eu não quero que me vejam. Só eu e o meu sangue é que podem ver. O que eu sou... E vivo, na eterna rotina, da infinita repetição. Mas a Esperança, que é o meu sangue, que sou eu, alimenta-me e dá-me forças para reforçar a minha criação. Sou o meu criador. Criei-me... Até que ponto, que limite, é que o meu império, o meu reino, a minha máscara, aguentará proteger-me deles, dos outros, todos eles?
Quero, sem dúvida, com certeza, viver fora dele, só comigo. E com o meu sangue...
Publicado por Downthesun em março 10, 2004 07:25 PM