Hoje numa tarde, munida de uma rotina e repetição agoniantes, reparei, pensei e observei um fenómeno que, após uma pequena divagação, constatei a sua veracidade. A sua veracidade, a minha verdade, é única. É como a interpretação de uma música, só nós a sentimos e, como a sentimos, é um fenómeno único. Por vezes dou por mim, ao sabor de um cigarro, no meu santuário, no meu refúgio, no meu quarto, a pensar. Filosofar sobre a minha incessante busca da obtenção de verdades. As minhas verdades, verdades que apenas eu posso compreender e, talvez, aceitar. São aquelas aquisições mentais que, tantas vezes, inconscientemente damos como certas e sabidas. E, por vezes, novamente, afirmações contraditórias às nossas conclusões são tratadas com alguma arrogância da nossa parte... Evitando agora mais desvios do fio à meada quero, antes de mais, fazer uma pequena introdução ao meu desvaneio mental do dia de hoje.
Estava eu, de headphones postos, a saborear uma vez mais a música que me alegra, a minha música, que é muita música. Perdido na futilidade dos pensamentos enquanto esperava, paciente e distraidamente, pelo meu professor de matemática, reparei nas faces dos meus colegas, nas suas formas e nas suas existências. Comecei a pensar que, efectivamente, já decorria mais de um ano que convivia diariamente, numa rotina, com eles. Conhecia o que eles me mostravam, assim como eles, todos eles, conheciam aquilo que eu lhes mostrava. É mais de um ano de um jogo. A brincadeira de quem esconde melhor quem sou. Um jogo que, infelizmente, é usado frequentemente e de origem, penso eu, milenar. E pensei nos meus colegas antigos, de outros anos, de outras turmas, de outros tempos. E deles nada guardo. Nem saudade, nem recordações, nem piadas. Guardo escassos episódios, cenas e curtas-metragens que, por mim, são minimamente relevantes; Outras cómicas. Mas, tirando esse reduzido número de episódios, nada mais guardo deles. Perdi-os, perderam-me, no tempo. As suas faces, esquecidas, são nada mais que estatísticas estalinistas da minha vida. E voltei a olhar os meus colegas. E olhei, desta feita, para o futuro, o meu futuro. Não o deles. Pois não é totalmente incerto, o deles. É simples, é um futuro de esquecimento; serei, claro, esquecido. E eles, tal como eu, serão esquecidos. Desta vez por mim. Nada me dizem, até os mais chegados. Com alguma sorte manterei o contacto com alguns... Mas até aí se desmoronará a nossa relação.
Voltei a pensar... Quem são as pessoas que podemos dizer que são para toda a vida? Simples: aquelas que, de corpo e alma, entregam-se a nós; e nós a elas. E, tirando o meu sangue, os que vivem comigo todos os dias desde os primórdios da minha existência, conheço duas pessoas às quais me entrego. Mais ninguém. E como posso eu considerar outros, outras caras, outras experiências, outras vidas, outras existências, meus amigos...
Publicado por Downthesun em março 9, 2004 10:19 PME porque é que havias de o fazer? Não precisamos de andar a pensar nas pessoas que são importantes para nós, muito menos de as andar a escolher de entre os outros. Se eles não te consideram um amigo, tu não tens que fazer mais nada, senão exactamente o mesmo. Eu também, mantenho muito poucas relações com antigos colegas. Quando me perguntam se eu não tenho saudades de antigos colegas, eu respondo sempre que não, porque tenho mantido o contacto com aqueles que são realmente importantes, afastando o resto (e sendo afastado). Eu conheço pessoas que se gabam pelo tamanho da sua lista de contactos do msn, ou pelo tamanho da agenda do telemóvel...Eu não preciso de muitos amigos, preciso é de bons.
Afixado por: gato preto em março 10, 2004 02:07 PMEu sei que não sou obrigado a retribuir o tratamento. Entre máscaras e falsidade, recuso-me a existir. Mas é pena, pois eu mantenho sempre, estupidamente ou não, uma esperança eterna de conhecer pessoas novas, pessoas que são, de facto, humanos. Humanos, seres vivos que respeitam e querem ser respeitados, para mim são sinónimo, muitas vezes, de esperança. Mas tens razão, toda a razão, quando dizes, e bem, que amigos não se querem muitos. Querem-se bons. Bons amigos...
Afixado por: downthesun em março 10, 2004 07:15 PMNesse caso, as melhores surpresas vêem de onde se menos espera...temos é que tar atentos.
Afixado por: gato preto em março 10, 2004 11:24 PMNem mais...
Afixado por: downthesun em março 11, 2004 06:06 PM