Ontem fui à feira da ladra. Já lá não ia há mto tempo... Desde o dia 13 de Dezembro... Mas ir à feira é como ir aos saldos com a pequena diferença que os preços baratos imperam todo o ano. Aquele aglumerado de pessoas, de culturas, de objectos... é simplesmente encantador. Acabo sempre por ver bujigangas que nem sequer sonhava que existiam, pessoas com ar duvidoso e coração de ouro, pessoas com ar apresentável e coração de pedra. É a sociedade capital-socialista junta num mercado de cultura. E a zona... Ai que paisagem. É como o meu anjo diz, a zona da feira num dia em que não haja feira, deve ser linda... Se nos posicionarmos correctamente conseguimos ver uma grua... e atrás a imensão azul de nosso Rio Tejo. E os prédios? Eu derreto-me todo com aquela arquitectura arcaica, o aspecto pombalino e pós 1755 é, simplesmente, encantador.
Depois de almoçar fui ao cinema... Tarefa que continuará a ser um dos maiores prazeres que consigo ter. Já tinha visto o filme no King Triplex, mas quis, quase que por força, que o meu anjo visse o filme. É o "Anything Else" do Woody Allen. Vai ser a primeira vez que irei escrever sobre um filme aqui no blog... Não sei porquê mas sinto uma vontade de falar sobre o filme... Aquele humor negro e intelectual tão habitual no Woody é delicioso. E deliciosas são as personagens( em todos os sentidos...), aonde assistimos a caricaturas. Assistimos à ingenuidade e simplicidade do Falk... À arrogância, maldade e hipocrisia de Amanda. Que opostos. E estão apaixonados no filme! As voltas e reviravoltas que as personagens sofrem, umas mais conscientes que outras. E que filosofias que o Dobel(Woddy Allen) apresenta. É daqueles filmes que recomendo a todos.
E andei por Lisboa. Pela Av.República, pela Av. De Berna... Sempre a falar, debater e filosofar com o meu anjo, essa minha alma gémea! E como eu gosto de poder falar com ela. Sentir o ar gélido do dia de ontem sumir-se na minha face ao som das suas, nossas palavras. E entrámos no nosso sanctuário. Os jardins da fundação Calouste Gulbenkian. Inexplicávelmente sinto-me inspirado nestes jardins cuja verdura me transmite uma sensação de energia mental. E falar continuará a ser o prazer que me faz viver. O prazer supremo.
E falei de mais. Habituei-me à rotina de umas valentas horas de conversação sem tréguas e senti-me a ressacar da voz do meu anjo quando cheguei a casa. Só pensava em querer sair, e aproveitei uma ideia/convite de alguns amigos para sair à noite. Sítio do costume. Música do costume. Pessoas novas. Encontrei um Amigo que já não via à uma carrada de tempo. Nós últimos 6 meses apenas no falámos no MSN... Nada de contacto físico. Preguiça é o que é. E tive grandes conversas com esse Amigo. Que aura que ele emane. Aquele cigarro a queimar-se por entre os dedos é apaixonante... E que poço de mágoa que ele é. Ódio e desespero. "Caga nisso, já estou habituado. É o meu nihilismo de vida que eu já amo.". Palavras dele. Entre umas cervejas, uns cigarros(somente dele) e alguns shots estávamos lançados para uma noite de conversa. Mas houve uma quebra. Perdi a concentração com mais uma cena que abomino. A existência de coros quando se está comprometido. Mas isto é um assunto que já nem é para aqui falado. A noite acabou por ser atisfatória. Boa música(Deu a "alive" dos Pearl Jam, lembrei-me logo do meu anjo), boa companhia e algumas cenas tristes. Mas isto não é só à noite que acontece pois não? É todos os dias... Com algumas discrepâncias.
Publicado por Downthesun em fevereiro 29, 2004 04:49 PM