Louvados sejam os tempos em que, realmente, via-mos a nossa ingenuidade como uma virtude. Quando as nossas ofensas e pecados "não eram por maldade". Uma vez, num planeta distante, noutra dimensão, houve felicidade. Houve o nascer de um Sol cuja alegria e bem-estar iluminava todos os mortais. Era aquele conto em que "viveram felizes para sempre". É pena... Que seja, efectivamente, noutro planeta, noutra dimensão. O Sol que, ciclicamente, brilha sobre mim ilumina bem demais o meu caminho. Mostra-me os factos, a realidade. Mostra a decadência que nós, mortais e moscas num universo cuja grandiosidade é, literalmente, infinita, vivemos e respiramos todos os dias. E decadência é eufemismo...
Já dizia o Pessoa :
"Por isso eu tomo ópio...é um remédio,
sou um convalescente do momento
moro no rés do chão do pensamento
e ver a vida passar faz-me tédio..."
Viver a vida alucinado. E assim se criou um grande poeta, trancado nas suas, inúmeras, dimensões de ilusão e fantasia. Viver sem o cordão umbilical que a sociedade representa. Não seria aliciante? Eu acho que sim... Voar, para longe, para outro lugar, e vagear apenas na imensidão da nossa mente.
You don't know what's like to be... dead inside.
Publicado por Downthesun em fevereiro 19, 2004 11:23 PM