fevereiro 16, 2004

Needles...

Acordei. A enxaqueca de ontem permanece e o meu corpo é agravado com dores de garganta. O mal veio por bem, fiquei na cama, dormi mais tempo. Sabe sempre bem interromper a rotina, o quotidiano. Ainda me lembro dos meus síndromas de preguicite aguda de há uns anos. As vezes que eu usava e abusava das minhas enxaquecas. Assim, desta forma, conseguia ficar em casa, resfastelado a ler um livro, ver um filme... E não tinha que viver com a população estudantil da minha escola que, apesar de tudo, eu tanto odiava. E esses dias eram aproveitados até à última gota, comigo a sonhar. A sonhar no conforto de uma solidão que, tantas vezes, desejei que fosse eterna. Viver nos recantos da minha alma, auto marginalizando-me do mundo que me rodeava. Sem ter que fazer um esforço para me adaptar e ser querido no meio escolar. As saudades desses tempos... Em que a minha personalidade ia sendo moldada ao sabor dos dissabores que vivia. Aprendi a apreciar a diferença. A sentir orgulho em mim pelo simples facto de ser diferente...

Um bom rebelde. Sempre o fui. As amarguras que se originaram do meu sentido hiper-crítico, a falta de compreensão e a rejeição foram os meus mestres. Os meus tutores. À dor devo a minha personalidade e carácter. E hoje recordei esses tempos que, apesar de distantes, são parte de mim. Pertencem-me. Todos nós temos estes momentos que, apesar de por vezes aparentarem estar esquecidos, regressam quando menos esperamos. E faz bem recordar o que passámos. No meu caso, ajuda-me a compreender a minha existência. Lembra-me que devo agarrar aquilo que tenho, que amo, e lutar por algo melhor.

Publicado por Downthesun em fevereiro 16, 2004 03:51 PM
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