fevereiro 04, 2004

Victim Of The Paranoid

Tranca-me. Na solidão efémera de uma sala sem janelas. O ar fede a desgosto e mágoa, culminadas na urge da vingança. Existem dias em que o sol simplesmente não brilha, as estrelas são escondidas por nébula. Aqui eu confesso... Sinto uma amargura misteriosa.

O mundo que me rodeia faz-me sentir canibal, sinto desejos que me aliciam a saborear carne humana, ver a que sabe a carne de uma espécie nojenta e deformada como a nossa. Dou por mim a fechar os meus olhos e deixar que o fluxo imaginário do pensamento me leve a um lugar onde tudo o que eu vejo é morte. Onde o nada impera, a escuridão brilha e a dor se come. Tudo o que eu vejo para o futuro é negro. Cheira-me a sangue... Arrepios na espinha juntos com uma raiva inexplicável explodem numa combustão de emoções. O que eu sou? Porquê esta necessidade estúpida de afirmação? Não sei... Só sei que não quero viver em decadência. Quero ser diferente, ser algo que não seja mais uma cópia.

We are born in silence, with barcodes on our necks...

Refutação e revoltas são nada mais que gemidos. E precisamos de gritos. Convivo com conformisto e apolíticismos... Não há é interesse. Estamos a tornar-nos perigosamente preguiçosos. Não vejo esperança. Não vejo nada! Vejo apenas zombies. Corpos rotineiros num dia-a-dia desprovido de vida.

Acabei o dia a compreender uma coisa... A necessidade de se precisar de acreditar em algo de superior. Forças sobrenaturais. Desconfio que, nos recantos da minha existência, acredito em algo de superior. Na Natureza como algo que controla o rumo das coisas... Quem sabe, a natureza não nos estará a dar uma valente lição?

"I can't take this anymore" in Victim Of The Paranoid, SIX FEET UNDER

Publicado por Downthesun em fevereiro 4, 2004 11:58 PM
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