A Noite vem poisando devagar
sobre a Terra, que inunda de amargura...
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura...
Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura...
E eu oiço a Noite imensa soluçar!
E eu oiço soluçar a Noite escura!
Porque és assim tão escura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó Noite, em ti existe
Uma saudade igual à que eu contenho!
Saudade que eu sei donde me vem...
Talvez de ti, ó Noite!... Ou de ninguém!...
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!!
Florbela Espanca in Livro de Mágoas
Publicado por Lady Sianna em fevereiro 1, 2004 06:39 PMMagnífico, aliás como todos os seus poemas!
Afixado por: Roxy em fevereiro 1, 2004 07:06 PMgostava de inventar...palavras
inventos são...versos
poemas que eu e tu lês
todos nós os consumimos
poucos recordam quem os fez
linhas, curvas, rabiscos
uma descrição a acompanhar
três anos para uma patente
montes de dinheiro a gastar.
fernando nogueira gonçalves www.invento.web.pt