janeiro 19, 2004

The Rise Of Brutality

O mundo em que vivemos, muito infelizmente, tem vindo a atingir proporções de violência extremas. A discriminação, ódio, arrogância e ignorância contribuem para a contínua queda da sociedade em que vivemos. Cada vez mais podre e nós, humanos, existimos num estado constante de habituação. Quantos de nós ficam muito surpreendidos por um certo fulano ter morto a mulher? É o prato do dia(mais concretamente ao jantar...) nos meios de comunicação. Vemos a decadência personificada em nosso redor, à volta dos que nos são queridos, e ficamos impávidos a ver a degradação.

Um dos meus melhores amigos hoje foi vítima de uma tentativa de assalto. Ao resistir, vulgo, recusar dar os seus pertences conseguidos ao custo do seu próprio suor, foi violentamente agredido por um grupo de 6 jovens. Como podemos nós negar ódio, vinganças e arrogâncias quando o meio-ambiente em que vivemos é isto? Todos os dias são milhares de pessoas roubadas, espancadas, violadas e torturadas por esse mundo fora... E, como é mais que sabido, a violência só gera mais violência. Assim, formam-se constantes ciclos(nefastos e muito viciosos) de racismo, ódio político e sexismo. Será assim tão difícil vivermos em harmonia?

As pessoas falam de soluções "que resolviam esta merda toda". Racismo levado ao extremo devido à raiva sugere a morte dos "pretos", esse gândulos que andam por aí a roubar as pessoas. Não pensam que não são só pretos que roubam. Os brancos, amarelos, cor-de-rosa e lilás também roubam. Não é uma questão racial, é uma questão social. É um certo esterotipo que, tristemente, rouba, não por necessidade de sobreviver, mas sim por necessidade de afirmação. É uma "sub-cultura",vulgo monte de merda, que se assume como os que respeitam e são respeitados. As minhas ideais de solucionar estes problemas assentariam em acabar com as desigualdades sociais. Mas como isto é um mero conceito repleto de utopia... Não pode funcionar a curto-prazo. E é a curto-prazo que, para evitar guerras campais nas nossas cidades, precisamos de agir. Os meus princípios-base assentam no respeito. Quem me falta ao respeito deve pagar. Se me tentarem assaltar, de modo a não ferir o meu orgulho, pago na mesma moeda em que for tratado. Felizmente posso agir assim pois tenho algum porte físico. E que fazem aqueles que, físicamente, não têm hipóteses de defesa? Correr? ... É todo um conjunto de problemas adjacente a esta questão. E as soluções que devem ser criadas não existem. Eu não as encontro. As de curto-prazo são demasiado violentas e as de longo-prazo irão acabar num extremo... Qualquer dia os arredores de Lisboa serão muito semelhantes às favelas brasileiras.

Acho triste não conseguirmos viver em harmonia. Sem ódios. Mas o ser humano é mesmo assim. Nojento e odioso. Apesar de sermos capazes de feitos corajosos e muito honrosos, temos a capacidade de sermos frios e cruéis para com os outros. E assim vivemos todos os dias... De olhos fechados negando a realidade... E qualquer dia vamos-nos arrepender da violência que vamos "admitindo" todos os dias.

"And all the children sing... We hate love... We love hate." - Marilyn Manson in Irresponsable Hate Anthem

Publicado por Downthesun em janeiro 19, 2004 11:55 PM
Comentários

Compreendo o que dizes. Antes de eu ter ganho também algum "porte físico", era assaltado frequentemente a caminho da escola. Felizmente, nessas alturas preferi não arranjar problemas. Mas muitas vezes fiquei sem o dinheiro do almoço, noutras chegou a haver confrontos físicos. Acredito que em zonas muito piores, seja impossível uma pessoa não viver em constante estado de alerta, sempre a postos para se defender. Um primo meu, costuma andar sempre de faca, e depois de ter visto agredirem uma senhora idosa não muito longe da porta do prédio dele, quem é que o pode censurar?

Sim, a violência só leva a mais violência, e isso está mais que comprovado. Estamos a ficar com uma cultura como a dos Estados Unidos (mas nao somos só nós, penso que seja um problema global). Recomendo-te que vejas o Bowling for Columbine, que é das coisas mais brilhantes que já vi, e que oferece uma explicação bastante lógica para este ciclo de violência. Por acaso, a pessoa com a intervenção mais inteligente, e que resume o filme/documentário na perfeição é o...

Marilyn Manson! :)

Afixado por: gato preto em janeiro 21, 2004 08:57 PM

Gato Preto... Está registado esse filme. Quando puder vou tentar vê-lo. Obrigado pelo comentário... Efectivamente as nossas ruas estão, a cada dia que passa, mais perigosas... É nojento e degradante termos que viver em alerta não é?

Afixado por: downthesun em janeiro 22, 2004 05:13 PM

Grande filme... muito bom mesmo!! Gato, não te preocupes que o Downthesun vai ser obrigado a ver o filme! LOL

Afixado por: Lady Sianna em janeiro 22, 2004 10:50 PM