dezembro 11, 2003

Cardiografia...

Sonhasse eu que viria a provar a tua perfeição, a tua plenitude cósmica, sob a forma de um pesadelo. Um pesadelo daqueles que, apesar de estarmos acordados, nos assombram. É dilacerante sentir na pele, na alma aquilo que me fazes embora, e estou perfeitamente consciente disso, seja feito de uma inconsciência ingénua. Essa tua traição fatal no meu coração doeu-me estupidamente.

Mas o ingénuo sou eu. Quem me mandou apaixonar-me por ti? Se Deus existe, Deus castiga. Por ti, aos poucos, vendi os resquícios da minha alma, vendi alguma amizades e ofereci-te de bandeja o meu coração. Erro estúpido o meu. Lentamente, depois de me sentir humilhado e pior ainda, abandonado, fui caindo num estado psicótico de indiferença e dor. Andei a vaguear pelos confins da minha existência, perguntando-me e analisando quem era. Ainda me lembro daqueles dias ôcos, em que não vivi, nem sequer existi, em que a única prova física que estive ali, na minha cama, eram as lágrimas secas na minha face. Desejei-te mais que nunca e isso levou-me à beira da loucura. Enlouqueci de raiva e angústia onde ponderei nas mais radicais, egoístas e absurdas hipóteses para te ter. Nasceu um Ódio em mim. Nunca tinha sentido nada de tão forte, tão negativo. Mas o Ódio, apesar de parecer ser vindo de ti, vinha de onde eu menos esperava. De mim. Foi o culminar da minha indignação perante a vida e isso... Isso doeu. Andei contra tudo e todos, numa tentativa desesperada de aliviar o que sentia. Fui injusto, mais que injusto, e iludi pessoas. Com o meu falso amor. Usei descaradamente uma pessoa, mas acredita, que todos os dias me arrependo do que fiz.

Nasceu uma nova aurora em mim. Progressivamente abri o meu coração, deixei entrar nele os que tinha a certeza que me amavam, os que me conheciam ao ponto de merecerem a minha compreensão. E eles ajudaram-me. Isto é Amor. E de ti? O que sinto? Já foi ódio, raiva e nojo... Agora? Indiferença total. Tu para mim não existes e vivo contente com isso...

Anónimo

Publicado por Downthesun em dezembro 11, 2003 01:14 PM
Comentários

mais um texto com o qual me identifico a 95%.
Digo isto porque vejo-me nele com a excepccao da ultima frase, pois o meu final seria qualquer coisa assim:
Já foi ódio, raiva e nojo... Agora? E pena de ti por nao teres sabido amar ou respeitar quem te ama. Tu para mim es uma memoria doce-amarga, uma pedra nas fundacoes da pessoa que sou...

a cerca deste tema escrevi...
no "durante":
Pergunto-me a mim mesmo onde falhei e sinto que a resposta esta ca dentro mas nao a consigo enchergar no meio desta neblina cinzenta que teima a envolver-me cegamente a alma.

no "depois":
It takes time, in some cases, more than a lifetime, but we don't have it so we have to try harder.
Yeah, it takes time for one to discover that the serenity needed to appreciate life is something that comes from inside us.
The mistake that we often fall into, is to rely on external factors or people that we cannot control, to seek that so wanted stability and peace of mind.
One that discovers and truly feels that happiness depends on how one deals with him/herself and the exterior world, is empowered to precede a serene journey of life.
Today, I came to understand this and I feel reborn.
For those who didn't get there, push yourself towards this conclusion, the clock is ticking and it will not be forever.
Bon Voyage!

Afixado por: mn em dezembro 24, 2003 07:05 AM