dezembro 09, 2003

Tales From The Hardside...

Enquanto dedilho o teclado para escrever esta entrada sou enfeitiçado por um cigarro acompanhado da One dos Metallica, a minha neura transforma-se agora em apatia. Estar em casa torna-se, a cada dia que passa, um sufoco, e por mais que eu tente, é-me díficil respirar liberdade. Sou um preso da minha própria consciência, da minha inutildade perante os que me rodeiam. Não me recordo de um dia em que tenha chegado a casa e sentir-me num lar carinhoso...

Ontem, na minha divagação mental, caí numa insónia daquelas que já não tinha à muito tempo. Queria desesperadamente dormir, para estar minimamente "fresco" para o teste de hoje(que, por milagre foi adiado), mas não conseguia. Impressão no estômago, ansiedade e pensamentos a velocidades vertiginosas afastaram-me durante horas o sono. A última vez que olhei para o relógio eram 4:54 da manhã...

Hoje a minha existência foi nula. Não vivi. Acordei num estado zombie onde a minha má disposição matinal me fez quase cair na banheira. Tonturas atrás de tonturas. Não me conseguia concentrar em nada, estava completamente alheado do que me rodeava. Não me apetecia falar e isso deve ter sido óbvio para os meus colegas cujo cliché irritante do "Estás bem?" foi-se repetindo ao longo do dia. Que frustração.

Disseram-me ontem, e eu estou ciente disso, que é só uma fase. Mas estas "fases" são sempre dolorosas. Pelo menos para mim. Não consigo ser eu em minha casa. A minha máscara já é tão espessa que já não me conhecem. Conhecem um ser totalmente diferente, desprovido de problemas de maior. É o que eu sou no meu "lar". Um estranho. O meu santuário é o meu quarto, onde as suas paredes é que sabem quem realmente sou. Chamem-me o que quiserem: nómada, vagabundo e estúpido. Não me conhecem. Até os dedos de uma mão são muitos para contar os que realmente me conhecem. Ainda menos são os que me compreendem. Não me refiro à compreensão das minhas atitudes, mas sim, à compreensão da minha existência.

Nos dias 20,21 e 22 vou desaparecer. Vou para longe da minha, tão amada, cidade. Preciso de me afastar dos que me rodeiam para ver se organizo a minha mente. A minha vida. Afasto-me com a esperança de ser mimado e encontrar ai alguma espécie de consolo. Preciso urgentemente deste afastamento.

As últimas palavras desde post estão a ser escritas ao som da Fade To Black dos Metallica. E é isso que me está a acontecer. Sinto-me, lentamente, a morrer por dentro, com saudades de tempos aúreos, tempos de uma mínima felicidade...

Sempre vosso,

Publicado por Downthesun em dezembro 9, 2003 05:15 PM
Comentários

"Disseram-me um dia, Rita, põe-te em guarda
Aviso-te, a vida é dura, põe-te em guarda..."

Às vezes dizem-me que tenho de ter mais cuidado com as pessoas, que sou demasiado dado... Mas acredita que, independentemente das chapadas que leve, o que elas já me deram será sempre muito superior.

Mais uma vez te digo... Acorda! Olha bem em volta...

"Não existem problemas, só existem soluções"

Afixado por: MrQuentin em dezembro 10, 2003 12:17 AM

Afastar-se faz bem. Mudar. E voltar. Voltar sempre. Anima-te! Um beijo!

Afixado por: Maria em dezembro 10, 2003 11:13 AM

"Há saídas que eu posso escolher, vou criar soluções"

Obrigado pelos comentários.

Afixado por: downthesun em dezembro 10, 2003 12:45 PM

As mascaras sao usadas por diversas razoes, talvez para evitar revolucoes, talvez por respeitar os que nos querem ver assim...
O que e' certo e' que sim, usamos mascaras e infelizmente, sao poucos os que nos conhecem a nu!
mas nao deseperes, a vida e' uma sucessao de situacoes de bem e mau estar. Muitas as vezes sao o mau estar que nos trazem licoes valiosas mas so assim o cvemos muito mais tarde e a paciencia nem sempre esta do nosso lado, nao e'?
Mas nao desesperes lembra-te disto e veras um dia o que eu te estou a tentar dizer.
Os espacos fisicos normalmente nao expandem com a nossa evolucao e dai a necessidade de procurar novos espacos... agora talvez te seja dificil o fazer a escala de estas a precisar, mas nao desistes e veras que a jornada valara a pena.
Mais uma vez, me vejo nos teus textos... tambem me senti assim e nao via saida... alguns anos se passaram, sucessivos periodos bons e maus tambem, mas sinto-me tranquilo por compreender onde devo investir as minhas energias e desligar-me do que nao vale a pena. Tem paciencia, veras que encontraras o teu caminho!
Boas Festas da terra do sol nascente.

Afixado por: mn em dezembro 24, 2003 07:21 AM