Ontem numa das minhas aulas cuja disciplina é irrelevante para o relato aconteceu-me assistir á maior demonstração de ignorância possível e imaginária. O professor, se é que lhe podemos chamar isto sem ofender outros dos seus colegas, começa a contar-nos uma história: "Quando entram num café, num país estrangeiro, com uma lingua mais difícil, digamos, Suécia, e querem comprar um bolo qual escolhem? Não sabendo os nomes dos bolos, nem como são feitos... Escolhem-no como? Pela aparência... Até o podem achar nojento quando o comem... Mas escolheram-no por ter um aspecto gostoso."
Nesta parte comecei a ter um deja vu e a associar esta atitude de fala com uma outra professora minha de á uns anos... As recordações eram de longe boas... O professor continuou o seu "raciocínio" : "Isto é a realidade. Somos julgados pelas aparências." Até aqui tudo bem, uma afirmação já conhecida por muitos... Não me surpreendeu , mas a minha sensação de que algo bárbaro ia sair da boca do professor acabou por ser profética... "Infelizmente a realidade é assim, e só temos que concordar com ela. Não devemos lutar contra ela, porque assim só corremos os risco de ficar mal perante a sociedade e tudo o que a engloba, sendo emprego, vida social, etc. Os aspecto é muito importante. Devemos apenas viver da aparência, pois ela actualmente revela-nos grande parte da personalidade de uma pessoa..." Pois muito bem, achei perfeitamente arcaico uma afirmação destas, mas como considero o professor uma reincarnação do Adolf Hitler, resolvi não contra-argumentar... Ainda dava "mau aspecto".
Aqui levanto a minha pergunta... Com mentalidades assim no mundo estaremos nós condenados á estagnação intelecutal? Parece-me impossível vir-mos a evoluir numa sociedade que julga os seus elementos pelo aspecto físico. Isso incomoda-me sériamente... Estar num transporte público e ser olhado de maneira diferente por estar vestido de maneira não muito habitual? Tratarem-me por "tu" nas lojas... cuja cordialidade e boa educação do "você" é de importante? Devemos abrir os olhos e lutar... a luta pode parecer aburda, mas resume-se a isto penso eu : contrariar. Haverá melhor maneira de mostrar indignação se não insistir ou revelar-me contra aquilo que estou contra? Sejam vocês mesmos é o que tento passar... Mas não... Ninguém liga e isso aflige-me...
"Be Yourself By Yourself"
Há uma diferença entre compreender a realidade do que se passa á nossa volta, e aceitá-la. O teu professor aceita-a, tu não e eu também não, portanto já somos dois. Não te preocupes, acho que há mais gente com os olhos abertos do que pensas :) (espero eu).
Afixado por: gato preto em setembro 18, 2003 05:34 PMPenso que se essa luta se resume a "contrariar" , deverias tê-lo feito imediatamente após essas minimamente tristes palavras terem saído da boca (será que do cérebro também?) do teu professor. Não quiseste revelar qual era a discíplina, mas era bom que não fosse em Filosofia, para o bem desta. De qualquer maneira é muito mau para o ensino ter professores que parecem completamente alienados. E mais uma vez (como é habitual) quem sai a perder são os alunos. Tu pensaste, criticaste, e formas-te as tuas ideias daquilo que o teu professor disse, MAS QUANTOS NÃO TERAM OUVIDO E ASSIMILADO?
Obrigado...este blog tem coisas interessantes..espero voltar.